No passado fim de semana os cristãos celebraram um momento na sua resenha histórica que deveria merecer uma reflexão profunda no seio dos povos sobre a importância da paz – alguns resumem a guerra à existência da invasão da Rússia à Ucrânia, por sinal os mesmos que apoiaram os EUA aquando da destruição da Jugoslávia, do Iraque, da Síria, da Líbia, entre outros países, mas esquecendo sempre o martirizado povo palestiniano. Alguns apregoam o radicalismo do Hamas esquecendo quem os formou para atacar a OLP dirigida por Arafat, este assassinado por Israel. Mas não podemos esquecer todas as outras guerras, do Sudão ao Iémen, não ter memória curta dos ataques ao povo moçambicano. Numa palavra: PAZ.
Celebramos 51 anos da Revolução de Abril, não basta a celebração, é fundamental a refundação do caminho da democracia participativa emanada da Revolução. Daí denunciar um conjunto de problemas decorrente das opções ideológicas e políticas dos sucessivos governos contrários à matriz constitucional de 1976, traduzidas no desinvestimento nos diversos setores.
Mas há um partido, o PCP, que sempre defendeu e defenderá a Segurança Social Pública ao serviço dos trabalhadores. Mesmo no final do ciclo vital, a dignidade humana defende-se com propostas concretas de efetiva solidariedade e não caridade. Não posso deixar de lado a importância das funções sociais do Estado quando o país e o mundo atravessam um período especialmente complexo, que exige respostas concertadas, de difícil exigência e no contexto de um período marcado pelo desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS), pela submissão do país a interesses da União Europeia e do grande capital, ignorando o potencial dos recursos humanos que ao longo de mais de uma década imigraram e são fundamentais para a soberania nacional nas diversas dimensões.
Esta semana, o diretor executivo do SNS vem finalmente assumir que faltam recursos humanos ao SNS mas não afirma que é fundamental a separação entre público e o privado, queixa-se apenas de falta de tarefeiros, quando o caminho só pode ser pela valorização salarial das carreiras profissionais dos trabalhadores do nosso SNS. Não podemos ter memória curta das consequências da pandemia, quando o privado fechou portas, mas hoje continue a alienação de recursos financeiros para os hospitais privados, quando há necessidade de investimento nos recursos humanos no SNS, este não discrimina tendo em conta condição económica.
Não é apenas o Hospital Sousa Martins que carece da urgente requalificação do Pavilhão 1, mas também de mais meios humanos e materiais para dar resposta às necessidades dos utentes. O paradoxo é dos que defendem o modelo de empresarialização, com a criação das ULS e não deem verdadeira autonomia administrativa e financeira aos Conselhos de Administração para contratar os profissionais de saúde necessários para o reforço do mapa de pessoal da nossa ULS Guarda; a verdadeira responsabilidade na gestão da causa pública só acontecerá quando, no fundamental, haja reforço de transferência de verbas, não assente no número de utentes, mas no grau de dependência e a dispersão territorial.
O Hospital de Nª Sra. da Assunção, em Seia, e os cuidados de saúde primários também integram a malha pública de cuidados de saúde públicos. Alguns défices decorrem das opções ideológicas de anos e anos de desinvestimento no nosso distrito ao nível do SNS. Essa deveria ser a preocupação dos autarcas em exigirem os necessários investimentos no seu concelho com a responsabilidade do poder central – já agora, os mesmos deveriam monitorizar os recursos disponíveis aos munícipes face as transferências do Ministério da Saúde e da Segurança Social para as IPSS e Misericórdias. Recordo que alguns apregoavam que após a pandemia Covid-19 teria que haver uma mudança de paradigma, o que verificamos é que há menos trabalhadores nessas instituições, inclusive têm muitos emigrantes. Para os inimigos dos trabalhadores tenham preocupação na valorização salarial do setor social que exercem funções permanentes e não têm uma justa retribuição.
Vamos eleger 230 deputados, percebam que o reforço da correlação de forças contrárias ao 25 de Abril deve-nos preocupar. Observemos a aliança no país vizinho entre o PP e Vox nalgumas regiões autónomas. Enquanto comunista pergunto aos militantes do PS se estão dispostos ao reforço dos laços de fundação de uma frente antifascista no nosso país para defender os valores de Abril, esse caminho não será apenas até ao dia 18 de maio de 2025, passa forçosamente por dar muitos passos de convergência para uma efetiva e genuína política de esquerda e soberana ao serviço dos portugueses e não do capital.
Isto não está bem e continuar assim ficará muito mal. Todos os trabalhadores são essenciais para a soberania do nosso país. Comemoramos Abril com a convicção de, em maio, o seu voto ser determinante para a conquista dos nossos direitos. A dignidade da nossa vida é reconquistada também pela consciência de classe expressa no voto.
* Dirigente da Direção da Organização Regional da Guarda (DORG) do PCP


