Há 25 anos, quando este jornal começou a aparecer nas bancas, a Ti Jaquina ainda tinha o seu posto de venda na rotunda a que emprestava o nome. Pensando bem, não tenho a certeza de que houvesse já uma rotunda, mas sei uma coisa: já se falava na Alameda da Ti Jaquina e na Estrada Verde há muito tempo.
Os projectos nunca avançaram, por uma razão ou por outra, e os anos foram passando. Podíamos agora discutir se as prioridades que se puseram à frente eram tão importantes assim e especular sobre que desenvolvimento teria tido a cidade se tivessem avançado mais cedo, mas é importante ver que parece que é de vez.
Os três concelhos abrangidos pela Estrada Verde chegaram a acordo sobre o percurso, o que parecia ser o mais difícil, e decidiu-se aproveitar as estradas e caminhos de terra batida já existentes e pavimentá-los. É uma boa ideia, porque se vai conseguir o objectivo principal com um mínimo de intervenção.
Quanto à Alameda, tudo parecia bem lançado. Os projectos estão em cima da mesa. O processo de expropriação dos terrenos necessários está lançado e tudo parecia bater certo, e tão certo que a aposição aprovou. Vamos ter então a célebre e tão desejada alameda. Vai abrir-se um novo polo de desenvolvimento da cidade e vão ser melhoradas as acessibilidades. Serão também disponibilizados mais terrenos para construção, sabendo-se a falta de habitação que começa a ser problema também por aqui. Acontece que no executivo camarário a oposição, maioritária, concordando com o projecto, não gosta da forma encontrada para o financiar.
Na reunião de Câmara em que tudo foi discutido foi chumbada a contração do empréstimo necessário à obra com fundamento no facto de que tinha passado de 9 para 12 milhões, que as expropriações continuam em curso, que o presidente da Câmara não dá explicações, que não são dadas razões para se contrair o empréstimo antes do início da obra.
É claro que cheira a ano de eleições, em que o início dos trabalhos irá trazer vantagem nas urnas a quem dirige o processo e o chumbo do financiamento cheira a manobra dilatória, o que é reprovável. Não se compreende também como Sérgio Costa não deu todos os esclarecimentos necessários, se era esse o problema, porque não explicou, por exemplo, a passagem de 9 para 12 milhões ou qualquer outro pormenor que a oposição quisesse ver esclarecido. Parecia um número à Montenegro, a fazer os possíveis e os impossíveis para que lhe deitassem o governo abaixo para depois se poder queixar dos “meninos maus” (a propósito, numa moção de confiança pede-se que se manifeste confiança; se não a houver, não há que votar a favor).
A propósito de meninos maus, não havia adultos na sala? Alguém que pedisse a palavra e dissesse, com um ou outro palavrão pelo meio, algo como “a cidade da Guarda pede esta obra há mais de 30 anos, vamos entender-nos para isto avançar?”. Pelos vistos não. Pelos vistos a obra vai ficar para depois, para quando houver dinheiro e bom senso.


