Sociedade

SIAC junta artistas internacionais e visitantes curiosos na Guarda

Escrito por Sofia Craveiro

A quarta edição do Simpósio Internacional de Arte Contemporânea já está a decorrer. Além das obras de arte expostas nos vários polos do evento e das atividades promovidas, o edifício do antigo Cine Teatro da Guarda atrai guardenses curiosos com a reabertura do imóvel emblemático.

O Simpósio Internacional de Arte Contemporânea (SIAC) da Guarda invadiu as ruas da cidade. O contacto direto entre os 130 artistas e o público continua a ser um dos pontos fortes da iniciativa que abrange arte ao vivo, exposições, oficinas, literatura, poesia, palestras, arte urbana, entre outras atividades protagonizadas por artistas de 15 países.
Célia Marques, professora de Educação Visual e visitante da quarta edição do SIAC, é natural da Guarda e elogia a utilização do Cine Teatro para acolher um dos focos do evento, afirmando que é «uma ótima ideia». A visitante acrescenta que «estando este edíficio devoluto há tanto tempo e não se ter tirado partido dele até agora, é com certeza uma mais-valia». E acrescenta «que talvez seja um arranque para algo mais». Sendo esta a primeira vez que visita atividades do simpósio, a professora afirma que foi motivada a conhecer o SIAC pela arte, mas também pela localização: «Sendo este um edifício que está fechado há tanto tempo, queria ver o estado em que estava e também perceber como tiraram partido dele para esta iniciativa», confessa.
Kinga Subicka, pintora polaca de 42 anos, residente em Tavira (Algarve) é participante no SIAC pela primeira vez, embora já tivesse visitado a Guarda. Sobre o simpósio, que afirma ser «um evento muito bem organizado e bastante interessante», elogia a diversidade de atividades que este agrega, para além das mostras de arte. A trabalhar no antigo Cine Teatro, Kinga Subicka afirma que este espaço «é perfeito para ser utilizado como centro cultural». Rosa Pereira, por sua vez, é uma das artistas portuguesas a participar nesta mostra de arte. Pintora desde os 16 anos, é natural do Porto sendo esta a segunda vez que participa no SIAC. Na sua opinião, o simpósio da Guarda contribui para dar a conhecer o seu trabalho e sublinha que «conheço poucas cidades que deem a conhecer a arte da forma que a Guarda está a fazer». A pintora elogia ainda «o nível de organização, artistas e espaços» deste evento e afirma que «seria bom que as entidades responsáveis pudessem utilizar o espaço [do Cine-teatro] para mais iniciativas como esta».
Na Praça Velha, os escultores começam o trabalho de dar forma às suas matérias-primas, apesar das condições meteorológicas não serem favoráveis nestes primeiros dias de simpósio. Pedro Figueiredo, escultor há 20 anos, natural da Guarda e residente em Coimbra, é um dos presentes neste espaço. Esta é a segunda vez que participa no SIAC. A obra em que trabalha, em gesso direto, será um «montanheiro», figura que afirma relacionar-se com a candidatura da Guarda a Capital Europeia da Cultura, pelo facto de estar a «contemplar a Europa, de um ponto alto». De entre as novidades desta edição do SIAC, o escultor destaca a utilização do Cine Teatro referindo que «apesar de não ter a mesma configuração que tinha antes, a arquitetura mantém-se e para os guardenses chega a ser comovente ver este edifício aberto de novo ao público». Por isso, considera que «a readaptação do espaço» para novos eventos seria vantajosa. Embora na Praça Velha o tempo não seja convidativo a passeios, Alípio Gonçalves visita os escultores que estão a trabalhar no local. Reformado natural do Colmeal da Torre (Belmonte), com 74 anos, reside na Guarda há cerca de 46 anos, mas afirma desconhecer a iniciativa do Simpósio Internacional de Arte Contemporânea, cujos artistas observa. Apesar disso, o visitante assume a vontade de se dirigir ao Cine Teatro, de forma a poder ver o estado atual do edifício. «Não conheço o evento, mas quero ir lá, pois já nem me recordo de como era», afirma, acrescentando que «já que o dinheiro foi gasto, deviam utilizá-lo para outros eventos».

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Sofia Craveiro

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