Sociedade

Beiras e Serra da Estrela cria rede de apoio ao empreendedorismo

Escrito por Luís Martins

Objetivo é potenciar e apoiar a criação de novas empresas «inovadoras, criativas e internacionalizáveis» e fixar jovens quadros na região

Está criada a Rede de Apoio ao Empreendedorismo das Beiras e Serra da Estrela (REBSE), que envolve 34 parceiros da região, e tem como objetivo potenciar e apoiar a criação de novas empresas «inovadoras, criativas e internacionalizáveis».
A iniciativa foi apresentada na semana passada no Instituto Politécnico da Guarda (IPG) e surgiu no âmbito do projeto “Empreender e Crescer nas Beiras”, dinamizado pela Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIMBSE), em parceria com o Associação Empresarial da Guarda (NERGA), Universidade da Beira Interior (UBI) e o IPG. A sua missão é estimular o espírito empresarial na região e «melhorar a articulação e cooperação entre os diversos agentes de estímulo e apoio ao empreendedorismo», tendo sido criada a plataforma www.empreenderecrescer.pt. Os promotores pretendem sobretudo captar investimento que potencie a criação de novas empresas inovadoras e de valor acrescentado para a região. A rede agrega os quinze municípios, a CIMBSE, estabelecimentos do ensino superior, grupos de ação local; associações empresariais e entidades da administração pública.
Na sessão, Carlos Rodrigues, vice-presidente do IPG, considerou que esta rede de apoio ao empreendedorismo é «uma opção estratégica essencial» para o território das Beiras e Serra da Estrela. «Mas só existe empreendedorismo se existirem pessoas e se estas tiverem as qualificações necessárias», alertou o responsável. Por isso, Carlos Rodrigues acrescentou que o desafio do futuro é também criar condições para que os jovens estudem na região para que alguns deles fiquem por cá: «De que vale isto tudo se não tivermos mão de obra e mercado de consumidores», alertou. Por sua vez, José Páscoa, vice-reitor da UBI, defendeu que este «é o momento» para defender a criação de Zonas Económicas Especiais (ZEE) nos parques industriais da região. «Precisamos de uma redução de impostos e do aumento de condições efetivas para os empresários investirem na Beira Interior», afirmou o professor de Economia.
Pedro Tavares, presidente do NERGA, sublinhou que a rede surgiu para «segurar as pessoas, sobretudo os jovens, e evitar a sua saída para o litoral», não sem antes acrescentar que em Portugal «é difícil ser empreendedor e mais ser empresário». Já Manuel Fonseca, vice-presidente da CIMBSE, declarou que, ao participar nesta iniciativa, a Comunidade Intermunicipal está «a cumprir o seu papel de promotor do desenvolvimento económico» da região. A formalização da RBSE culminou com a apresentação de três casos de sucesso, apoiados pelo projeto. Um deles foi a Eco2Bloks, uma “spin-off” da UBI criada pelo professor João Castro Gomes e pelo doutorando em Engenharia Civil Pedro Humbert, que produz materiais para construção civil com resíduos industriais, reduzindo a utilização de recursos naturais. O projeto venceu Prémio Manuel António da Mota de 2018. Também a app Artist, desenvolvida pela Wicked Cat, de Pedro Pereira, de roteiros turísticos com recurso a geolocalização, realidade aumentada e gamificação, e o projeto Lup, app de reparações urgentes, criada por Diogo Xavier, surgiram na UBI.

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