Região

Redução das portagens «não beneficia a região»

O ano começou com o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, a anunciar a redução de portagens para o transporte de mercadorias nas antigas SCUT e um desconto adicional de 25 por cento para as empresas dos territórios de baixa densidade. Mas esta não só não é a “boa nova” que a região esperava, como também não beneficia os empresários sediados no interior.

«O novo regime de redução das portagens para o interior é uma medida muito curta, dececionante e que terá um impacto reduzido», afirma o presidente da Associação Empresarial da Covilhã, Belmonte e Penamacor (AECBP). Henrique Gigante admite que «é uma boa notícia para as poucas empresas com transportes de mercadorias, mas apenas e exclusivamente na medida em que é melhor do que nada». Analisada a realidade, o responsável acredita que é «diminuto» o número de empresas que beneficiará destas reduções, pois a «esmagadora maioria das nossas empresas não opera com camiões, deslocando-se em ligeiros de mercadorias e outros».
Da mesma opinião é o presidente do NERGA – Associação Empresarial da Região da Guarda, para quem esta medida «não beneficial o interior, nem as empresas cá sediadas». Embora pensasse que «iriamos ter uma diminuição dos custos de utilização das antigas SCUT» (A23 e A25), Pedro Tavares lamenta que que esta seja apenas uma redução destinada a empresas de transportes. «Ora se uma empresa de transportes do interior fizer uma carga para uma empresa do litoral, quem beneficia é essa segunda empresa, que terá custos mais reduzidos de transporte», esclarece o dirigente do NERGA. O também empresário diz que «o que foi feito é demasiado pouco e deveria ser alargado a todas as empresas», reforçando igualmente que a redução atual «não beneficia nenhuma empresa que tenha transporte próprio». É, portanto, uma medida que «descrimina empresas com transporte próprio, que não tem direto a descontos», critica.
Pedro Tavares acusa o Governo de «demasiada propaganda» para uma medida que, no fundo, «não é real», considerando mesmo que «é mentira» que as reduções possam chegar aos 80 por cento, como o ministro Pedro Marques referiu. «Esta nova redução é sempre sobre a anterior. Por exemplo, se já tivermos 50 por cento de desconto, teremos 25 por cento sobre esse desconto, pelo que será de 12,5 por cento no máximo», exemplifica o responsável associativo. Por outro lado, é também necessário olhar para o turismo e para a maioria da população que «não se desloca em camiões», alerta o responsável da AECBP, que lamenta que «viagens de e para a região nas autoestradas continuarão a ser caras, pelo que se assumem como barreiras à circulação de pessoas e bens e, por conseguinte, ao desenvolvimento económico». Também Luís Veiga, um dos porta-vozes da Plataforma Pela Reposição das Scut na A23 e A25, que embora veja nesta medida «mais um passo para a abolição total», afirma que «não queremos benefícios apenas para as empresas, mas para a toda a população». O empresário considera que esta é uma situação «aberrante» até para o turismo, que «continua a ser penalizado». E refere que «até os espanhóis olham para a questão das portagens com algum ceticismo, devido à forma de pagamento. São obrigados a colocar um cartão de crédito sem saberem quanto lhes será debitado».
Apesar da insatisfação, Luís Veiga reconhece que «a redução tem a ver com o esforço feito pela plataforma de tirar estes custos de contexto às empresas». No entanto, o objetivo continua a ser tirar o valor total, caso contrário o que for feito será sempre insuficiente». Na opinião dos três empresários, só a abolição total de portagens na A23 e A25 deixará a região satisfeita, pois só assim será possível «incrementar a atividade económica dos territórios de baixa densidade e incentivar o investimento, a criação de emprego e a retenção e atração de populações», sintetiza Henrique Gigante. Além disso, Pedro Tavares recorda que é «injusto» que as antigas SCUT «tenham um custo por quilómetro 30 por cima acima das restantes autoestradas do país, por exemplo a A1». A luta contra as portagens segue nas próximas semanas, já que a Plataforma tem agendadas novas ações de protesto, a primeira das quais a realizar no dia 16 de fevereiro, junto à nova Secretaria de Estado pela Valorização do Interior, em Castelo Branco, onde esperam ser recebidos pelo secretário de Estado, João Paulo Catarino.

Sobre o autor

Ana Eugénia Inácio

Deixar uma resposta