Política

Que prioridades para o distrito da Guarda?

Escrito por Jornal O Interior

Quais são as principais propostas dos candidatos pela Guarda para cativar os eleitores? No fecho da campanha paras eleições legislativas de domingo, O INTERIOR publica as medidas defendidas por alguns dos partidos – não foi possível obter em tempo oportuno a posição dos restantes dez – que concorrem pelo círculo da Guarda. Da abolição ou redução das portagens, ao investimento na saúde, passando pela concessão de benefícios fiscais e pelo aumento do salário mínimo, há de tudo um pouco. A ADSE «para todos», a criação de emprego e a aposta na agricultura biológica são outras propostas. Cabe agora ao eleitor decidir.

 

PS

Ana Mendes Godinho defende redução das portagens e aposta na saúde

No que respeita ao combate à desertificação das regiões do interior, Ana Mendes Godinho, cabeça de lista do PS pelo círculo da Guarda, defende a aplicação de «mecanismos e requisitos de discriminação positiva».
Neste âmbito, a candidata salienta a «garantia de segurança na saúde, nomeadamente com a requalificação do hospital da Guarda», a «redução das portagens» e o «investimento nas acessibilidades». A socialista propõe ainda a existência de conectividade digital em toda a região. Entre as principais propostas eleitorais, Ana Mendes Godinho destaca também a «aposta na instalação de novos serviços públicos no distrito, nomeadamente o Centro Nacional de Educação Rodoviária, a Unidade de Intervenção e Proteção da GNR, o Arquivo do Registo Automóvel e criação do Centro Nacional de Turismo do Interior». E quer reforçar o potencial do distrito «com apoios à agricultura, turismo e indústria logística, rede de incubadoras e dinamização do IPG, como pólo de atração de estudantes e de investimento».

 

PSD

Carlos Peixoto quer «pôr a saúde a funcionar» na Guarda e reduzir o valor das portagens

«Mais importante do que qualquer obra física é pôr a saúde a funcionar» na ULS da Guarda, afirma o cabeça de lista do PSD.
Carlos Peixoto salienta a importância de «reduzir listas de espera» na unidade de saúde guardense e de «atrair mais médicos» para a região. E para combater a desertificação é «necessário encontrar fórmulas para atrair empresas e pessoas», nomeadamente através da redução de 2 a 3 por cento da Taxa Social Única – que se traduzirá num menor encargo para as empresas localizadas em regiões de baixa densidade – e de incentivos à natalidade, onde se incluem medidas como creches gratuitas para o segundo filho até aos 6 anos de idade, mais tempo nas licenças de paternidade e maternidade e o eventual reconhecimento do estatuto cuidador dos avós. Carlos Peixoto assegura também que a proposta de redução das portagens será um tema levado à discussão no Parlamento. O objetivo é «reduzir em 50 por cento o valor pago pelos veículos de combustão» e em «75 por cento o valor pago por automóveis elétricos», como forma de incentivo ao uso dos veículos ecológicos.

 

CDS-PP

Henrique Monteiro defende benefícios fiscais para a região e investimentos na saúde

O candidato do CDS-PP na Guarda considera que «a grande bandeira do partido para a região tem a ver com o combate à falta de investimento, que conduz à desertificação».
Henrique Monteiro afirma que, para contrariar a realidade vivida nas regiões de baixa densidade deve ser criado um «estatuto fiscal para o interior» no qual seriam definidas reduções de taxas de IRC para empresas aqui sediadas, e de IRS para os residentes. O cabeça de lista destaca ainda a possibilidade de descentralizar consultas de especialidade médica da sede do distrito, de forma a «facilitar o acesso» e «reduzir constrangimentos» de deslocação das populações mais afastadas da Guarda. O centrista propõe também medidas de discriminação positiva no setor da saúde, para atrair e reter mais médicos na região. No que toca aos recursos naturais, Henrique Monteiro defende a valorização dos recursos hídricos, que «existem em abundância sem que sejam adequadamente usufruídos». Propõe, por isso, a valorização e otimização das barragens, além da criação de uma rede de pequenas albufeiras nas localidades que serviriam para «colmatar necessidades hídricas» da agricultura e pecuária.

 

BE

Jorge Mendes quer investimento na saúde e reabertura de serviços públicos encerrados

As propostas do Bloco de Esquerda (BE) têm «vários eixos a nível nacional que tocam a região», de acordo com Jorge Mendes, cabeça de lista pela Guarda.
De acordo com o candidato, o investimento no Sistema Nacional de Saúde deve aumentar para 6 por cento do PIB, facto que «iria refletir-se na saúde na Guarda», onde os hospitais e centros de saúde «têm vindo a reduzir os serviços prestados», e, nalguns casos, a encerrar. «Investir na saúde é prioritário numa zona despovoada e envelhecida», sublinha Jorge Mendes. O BE defende ainda a reabertura de serviços públicos encerrados, como «os CTT, escolas, tribunais…», para combater a saída de população da região e «dar condições às pessoas para que aqui se mantenham». A mobilidade é também salientada pelo candidato, que aponta como prioridade «o fim das portagens» nas ex-SCUT e a aposta no melhoramento das redes de «ferrovia e rodovia», nomeadamente a conclusão dos IP não concluídos.
Outras questões centrais para Jorge Mendes são o combate à precariedade laboral e a facilidade de acesso à habitação.

 

CDU

André Santos reclama fim das portagens e aumento do salário mínimo

As propostas da CDU são, na sua maioria, de âmbito nacional, mas «têm um impacto direto na região», justifica o cabeça de lista na Guarda.
André Santos defende o aumento do ordenado mínimo nacional, sublinhando que a diferença existente entre a remuneração mínima portuguesa e a espanhola «pode ser particularmente desfavorável para as zonas da raia». O candidato sublinha também a importância da agricultura familiar, que, apesar de possuir já um estatuto oficial, necessita de «agilizar o processo de informação dos cidadãos», havendo falta de técnicos especializados para o efeito. André Santos não esquece igualmente a importância da reabertura de escolas, tribunais e extensões de saúde encerradas na região para «tornar o interior mais atrativo» e defende «a abolição total» das portagens nas ex-SCUT. Além disso, o candidato da CDU reclama a «expansão e modernização da ferrovia» entre o Pocinho e Barca d’Alva, a criação de uma ligação entre Aveiro e Vilar Formoso e pede mais investimento «na floresta multifuncional e endógena» para prevenir incêndios e valorizar matérias-primas.

 

PAN

Tânia Duarte aposta na agricultura biológica

«Há vários desafios que têm que ser trabalhados na Guarda», sublinha a cabeça de lista do PAN pelo distrito.
Para Tânia Duarte, trata-se de um «território subaproveitado», afetado pelo envelhecimento populacional, conjugado com problemas de saúde, pela desertificação, pela falta de empregos, pelo abandono da agricultura e pelo flagelo dos incêndios. Na sua opinião, é preciso fazer «uma análise edafoclimática (solos e clima)» para concluir que as prioridades para esta região são a agricultura sustentável e a floresta autóctone. Nesse sentido, a candidata pede mais apoios «financeiros, fiscais e sociais» para os produtores que apostem na agricultura biológica e linhas de apoio à inovação empresarial no agroalimentar que apresentem soluções para as alterações climáticas. «Com este apoio à agricultura criamos empregos verdes, combatemos as alterações climáticas e apostamos na saúde preventiva, contribuindo para a sustentabilidade do SNS», considera Tânia Duarte, que também reclama apoios a reflorestação do distrito com espécies autóctones.

 

Livre

Carlos Pinto propõe “Pacto Verde” para criar emprego

O Livre considera «mais pertinentes» para a Guarda medidas como a promoção de um Pacto Verde, ou “Green New Deal”, do associativismo e do empreendedorismo.
No primeiro caso, Carlos Pinto, cabeça de lista pela Guarda, considera necessário um plano de investimento «ecologicamente responsável» a médio-longo prazo, que considere as infraestruturas necessárias para as próximas décadas e a aposta nos setores-chave para fazer face à emergência climática e ecológica e à criação de empregos verdes e estáveis. «Sem emprego de qualidade e sem salários atrativos não é possível atrair e fixar aqui os jovens», o que afeta «gravemente» a natalidade e torna inevitável o envelhecimento da população, constata. O candidato defende o estabelecimento de «parcerias estratégicas» entre os diversos agentes e entidades para consolidar o potencial da região, mas também o apoio aos jovens empreendedores na constituição dos seus negócios.

 

Iniciativa Liberal

Paulo Carmona quer desburocratização e descentralização do Estado

O partido Iniciativa Liberal defende a existência de uma «ADSE para todos os cidadãos».
De acordo com Paulo Carmona, cabeça de lista pela Guarda, o objetivo é «acabar com a desigualdade na saúde» para que todos possam escolher o médico ou o hospital, independentemente da sua capacidade financeira. O candidato propõe também acabar com os aumentos dos impostos sobre os combustíveis «para financiar os passes sociais em Lisboa e no Porto», de forma a aumentar a coesão territorial através do investimento nos transportes públicos da região. A Iniciativa Liberal exige igualmente a «desburocratização e descentralização» do Estado e tenciona «dar maior autonomia às escolas e aos hospitais públicos, para escolher e remunerar colaboradores». Paulo Carmona diz ser necessário devolver o poder «aos cidadãos» para acabar com «um Estado salazarista/ socialista centralizado em Lisboa». 

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