Política

Demissões no PS Guarda vão continuar

Escrito por Sofia Craveiro

Agostinho Gonçalves, presidente da concelhia da Guarda do PS, demitiu-se esta segunda-feira dizendo-se «votado a um total degredo». Ao que O INTERIOR apurou as demissões não irão ficar por aqui, havendo pelo menos mais cinco membros do partido que irão sair.

O anúncio foi feito esta segunda-feira. Num comunicado enviado às redações, Agostinho Gonçalves demonstra a indignação perante a postura da direção nacional do partido relativamente à concelhia. O até agora líder da secção do PS Guarda, eleito em janeiro de 2018, diz que «não é admissível que uma estrutura local – seja ela qual for (neste caso a concelhia da Guarda) – possa ser vetada a um total degredo e aberrante desprezo institucional». Para o responsável, este facto só pode ser explicado «por uma estratégia de “limpeza étnica” (em termos políticos, leia-se), numa clara purga e perseguição de determinados militantes».

O dirigente demissionário, que também vai abandonar a Assembleia Municipal, acusa o partido de «recusar o diálogo, o planeamento político e a definição de uma estratégia com as estruturas eleitas», considerando que prefere «dialogar com “estruturas sombra” (não eleitas), corporizadas por um conjunto de distintas e anónimas individualidades». Num comunicado pautado pela indignação, Agostinho Gonçalves critica fortemente as estruturas nacionais do PS, que chega a apelidar de «cúpula, ao estilo “União Nacional”, de um estalinismo primário» que «ostraciza as estruturas locais». Contactado por O INTERIOR, o ex-dirigente enfatizou «a falta de comunicação» com a direção nacional do partido e reiterou que a concelhia guardense tem sido «completamente ignorada em termos institucionais».

Agostinho Gonçalves lamenta não ter obtido «qualquer resposta às várias mensagens de correio eletrónico» que enviou e fala em «desprezo» para com a concelhia guardense, cujas recomendações para a formação da lista às legislativas «não foram sequer ouvidas». «Não é uma questão de quem foi escolhido, mas de falta de diálogo durante essa escolha», sublinha. Segundo um outro dirigente socialista, o descontentamento está «a crescer» porque o partido ainda não nomeou uma comissão administrativa após a demissão do Secretariado federativo e está «a tratar dos assuntos da Guarda com um conjunto de pessoas e não com os eleitos ainda em funções». Na sua opinião, «há um PS sombra» a comandar as ações e que «não permitiu que o partido se revitalizasse na Guarda».

Ao que O INTERIOR apurou haverá, pelo menos, mais cinco elementos da Comissão Política e do secretariado concelhio que irão bater com a porta brevemente. António Barbosa, Letícia Pereira, Conceição Santos, Tatiana Fonseca e Emanuel Barata são alguns dos membros que deverão demitir-se de funções. Por sua vez, José Alberto Pires, o número dois de Agostinho Gonçalves, não deverá assumir a presidência da concelhia por já não residir na Guarda, enquanto Conceição Santos também está demissionária. Ou seja, estão reunidas as condições para concelhia cair.
A crise do PS na Guarda tem ainda outro capítulo no executivo da Câmara, onde Eduardo Brito vai renunciar ao mandato no final do ano.

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Sofia Craveiro

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