A morte do Papa Francisco comocionou o mundo, o mundo católico e também o mundo de todos os que não sendo católicos o escutavam e admiravam.
Nascido na Argentina, em 1936, Jorge Mario Bergoglio conquistou o mundo pela palavra, pela bondade e esperança que transmitia com o seu sorriso expressivo e pela forma genuína como falava com todos e para todos.
Promoveu a renovação da Igreja e abriu portas a mudanças determinantes para o futuro do catolicismo – para muitos “salvou” a Igreja!
Assumiu muitos dos erros históricos da instituição e pediu perdão pelos abusos e pela pedofilia – um dos males mais graves praticados no seio da Igreja e que todos iam escondendo como podiam, ao longo dos anos, até que o Papa Francisco o assumiu como uma chaga, um crime e uma vergonha pedindo perdão às vítimas.
Cativou os jovens e abriu a Igreja a mudanças no papel das mulheres numa das mais antigas e fechadas instituições do mundo. Derrubou muros e abriu perspetivas para os mais fracos e para os mais pobres, integrou as minorias e deu espaço a quem é diferente; incluiu, quando outros excluíam. Afirmou a mensagem cristã para todos e abriu as portas da Igreja às minorias, inclusive aos homossexuais ou à comunidade LGBT: o casamento homossexual não passou a ser permitido e não passou a haver ordenação das mulheres, mas a sensibilidade da Igreja e o sentir dos católicos sobre as mulheres na Igreja ou sobre os homossexuais passou a ser diferente – a inclusão de acordo com o “todos, todos, todos”. Parece pouco, mas foi muito, é tudo o que a Igreja não era antes de Francisco.
Homem bom, de paz e fraternidade, o Papa Francisco marcou gerações e ficará no coração de milhões por todo o mundo. A sua simplicidade contagiante, os seus gostos terrenos, a sua mensagem focada nos oprimidos e mais necessitados, as suas confissões desarmantes, a defesa da liberdade e da liberdade de expressão, a sobriedade no vestir ou no falar. E o sorriso. O sorriso que transmitia sempre proximidade e tranquilidade, como contraste com o passado recente da Igreja, sempre inatingível e impessoal. O homem “normal”, de gostos terrenos, o adepto do San Lorenzo, que o Vaticano foi buscar ao “fim do mundo”, o primeiro Papa sul-americano, de uma américa latina sempre tão intensa e oprimida.
Francisco foi a maior revolução na Igreja desde o Concílio Vaticano II. Há católicos que preferiam uma Igreja mais disciplinadora e dogmática, e não apreciaram o pontificado de Francisco, e há os que queriam mais progresso e mais mutações. Francisco deu-nos uma Igreja mais humanista, mais inclusiva e mais humilde.
Obrigado Francisco.


