Opinião de Diana Santos: Apoiar devidamente quem investe na Guarda

Escrito por Diana Santos

Há instituições que, felizmente, conseguem aproveitar oportunidades para crescer e transformar o território. Procuram financiamento, apresentam projetos, enfrentam burocracias e fazem obra. A CERCIG é hoje, na Guarda, um dos exemplos mais claros dessa capacidade.
Nos últimos anos, conseguiu mobilizar milhões de euros através de fundos do Plano de Recuperação e Resiliência – PRR – para criar respostas essenciais ao concelho, com uma Unidade de Cuidados Continuados, uma Habitação Colaborativa e outros projetos destinados a pessoas que precisam de respostas sociais adequadas. Estes são investimentos que significam edifícios recuperados, mais emprego, atividade económica e, sobretudo, serviços que passam a estar disponíveis para a população.
Num concelho como o nosso, marcado pelo envelhecimento demográfico, pelo isolamento e pela fragilidade das respostas sociais, um investimento desta natureza deveria ser motivo de orgulho e merecer um reconhecimento inequívoco por parte de quem governa a cidade.
Porém, não tem sido assim.
Em 2024, o município da Guarda anunciou cerca de 700 mil euros destinados a ajudar as IPSS a preparar as suas candidaturas ao PRR, apresentando essa medida como uma “Via Verde” para os projetos das instituições. A CERCIG foi uma das instituições que melhor aproveitou a oportunidade do PRR e conseguiu concretizar investimentos de grande dimensão. Seria, por isso, natural que encontrasse no município um parceiro para os concretizar. Tal não aconteceu. Além de não ter recebido qualquer apoio municipal nesse processo, a instituição encontrou dificuldades em matérias que dependiam da autarquia, como aconteceu com o processo de alienação do terreno necessário à concretização de um dos seus projetos.
Uma instituição que consegue mobilizar milhões de euros para a Guarda e concretizar respostas que o concelho não tinha deveria encontrar no município vontade de acompanhar esse esforço e não dificuldades acrescidas. São projetos que recuperam património, criam emprego e respondem a necessidades concretas da população. O que está em causa, portanto, ultrapassa largamente a vida da própria instituição, é a capacidade da Guarda para ganhar novas respostas e novas oportunidades.
Outros municípios perceberam isso. O Fundão atribuiu 500 mil euros à construção de uma Unidade de Cuidados Continuados. São João da Madeira aprovou cerca de 620 mil euros para uma resposta semelhante. Há, por isso, autarquias que sabem olhar para uma grande resposta social como uma parte da sua estratégia de desenvolvimento. É esse reconhecimento que parece faltar por cá.
Fala-se constantemente da necessidade de atrair investimento para a Guarda, mas há instituições que estão efetivamente a consegui-lo. A CERCIG está a acrescentar à Guarda aquilo que tantas vezes dizemos que lhe falta. Por isso, apoiar uma instituição como esta não pode ser encarado como uma despesa ou como um favor, deve ser visto como uma forma de o município participar justa e devidamente num investimento que beneficia toda a comunidade.
É, afinal, uma questão de visão. Se a Guarda quer crescer, fixar população e reforçar a sua capacidade de resposta, precisa de reconhecer quem está a contribuir concretamente para esse objetivo. E, nesse reconhecimento, o Município não pode continuar a ficar aquém do que seria razoável esperar.

* Presidente da comissão política
concelhia do PS da Guarda

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Diana Santos

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1 comentário

  • Pois bem
    A maior instituição será sempre a família
    É nas famílias que verdadeiramente devemos investir
    De facto na ausência do papel que cabe as famílias , as instituições não passam apenas de uma segurança na retaguarda como suporte às várias valências que necessitamos
    Muitas delas foram criadas para chupar dinheiro do estado e de todos nos contribuintes, muitas foram criadas apenas com um fim , amigo do amigo
    Não vou colocar todas no mesmo saco
    Essa que faz menção conheço bem a realidade e seu propósito
    Muitas delas ainda vivem a vista do estado e pouco acrescentam nos duas de hoje
    Muitas hoje vivem de um passado que nos dias de hoje pouco acrescentam
    E na família que está a maior instituição e na família que devemos investir
    Precisamos na sua ausência instituições que consigam acrescentar algo a todos nos
    Em vários apoios com que muitos se vem privados mas nunca mesmo nunca que possam viver a conta do estado e contribuintes
    Tenho muita dificuldade em entender que para se fazer algo de concreto se tenha de recorrer constantemente aos apoios do estado se não as coisas deixam de funcionar
    onde está onde mora o voluntariado a disponíbilidade
    Vivemos num tempo em que cada um vive mergulhado para o seu umbigo o que vai do outro lado da rua pertence a quem lá passa
    Um vazio uma sociedade que prefere ignorar
    Até mesmo muitas das pessoas que estando ao serviço de várias instituições vivem com a cabeça debaixo da areia preferem ignorar quem verdadeiramente precisa
    Um mendigo uma gravidez indesejável uma doença oncologica a perca de trabalho um divórcio a viuvez a velhice na maior parte da vezes os problemas que afetam o próximo acabam por ser invisíveis
    Numa sociedade que aprendeu a fazer algo de houver dinheiro do estado
    E quantos a custa do estado enriquecem mostram sinais de riqueza exteriores
    E quantas das instituições feitas no tempo com milhares de dinheiro público hoje não passam de autênticos elefantes onde nunca conseguem ficar saciados pois para as manter abertas continuam a depender de gastos sem pouco ou quase nada acrescentarem
    Com a doença por duas vezes eu tive oportunidade de ver a realidade do mundo que nos rodeia
    Pior que qualquer doença será sempre a ignorância
    Daqueles que sofrem o precisam de ajuda
    Instituições muitas delas deixaram de funcionar e já pouco acrescentam
    A maior instituição pede resultados pede investimento
    Será sempre a família