Sociedade

Ruturas no abastecimento de água em Manteigas deixa reservatórios à mingua

Escrito por Sofia Pereira

Por mais que as ruturas tenham sido identificadas e resolvidas, a autarquia continua a detetar gastos exorbitantes e vai procurar culpados

Na semana passada o nível de água nos reservatórios de Manteigas desceu ao ponto de preocupar cidadãos e autarquia. A primeira medida adotada foi o corte de água entre as 22 horas e as 6 da manhã, para que se reduzisse o consumo de água, mas também para que se encontrassem as «ruturas no sistema de abastecimento de água que estavam a fazer o município desperdiçar mais de 200 mil litros de água por dia».
Neste momento os reservatórios de água de Manteigas já estão a voltar à normalidade e os cortes noturnos foram suspensos, mas, na última reunião do executivo, o presidente da Câmara, Flávio Massano, deixou o alerta que, «se os reservatórios voltarem a ficar abaixo dos 50 por cento do nível de capacidade, a água volta a ser cortada de noite». O sistema de abastecimento da vila é alimentado por sete depósitos, dois dos quais, os da Carvalheira e Picoto, que asseguram o fornecimento a cerca de 35 por cento da população. O autarca explicou que, na «segunda-feira da semana passada, o depósito da Carvalheira estava a descer abruptamente, uma vez que, nesse dia à tarde estava nos 35 por cento de capacidade e no dia seguinte de manhã estava apenas a 12 por cento».
Ora, o reservatório da Carvalheira abastece o reservatório do Picoto que, por sua vez, abastece as casas na zona norte da vila serrana. «Com as indicações que tínhamos, com o reservatório da Carvalheira a 12 por cento, não iria ter capacidade para continuar a alimentar o reservatório do Picoto, e foi isso que aconteceu», explicou o edil. O reservatório da Carvalheira chegou a estar vazio, sendo que, «normalmente, aquele depósito não desce dos 50 por cento». A partir daí, o autarca explica que foi ativado um «plano de crise em Manteigas, porque estávamos na iminência de não conseguir abastecer as pessoas. Foi definido um plano de trabalho para perceber o que estava a acontecer e encontrámos ruturas na rede de abastecimento», uma delas no Bairro do Outeiro. Depois de reparadas as ruturas, foi possível perceber que se estava a perder «10 metros cúbicos de água por hora, ou seja, 240 mil litros por dia a sair do sistema».
Além das ruturas no sistema de abastecimento de águas, também os deslizamentos de terra ocorridos na Mata da Carvalheira na sequência das fortes intempéries deste ano estão a prejudicar a chegada da água aos reservatórios, uma vez que as duas nascentes que abasteciam parte do reservatório da Carvalheira «foram embora e, se olharmos ao estudo geológico que está a ser feito pela Infraestruturas de Portugal, não é aconselhada nenhuma perfuração naquela encosta, pelo que ninguém vai querer fazer o trabalho naquele local onde não há o mínimo de segurança». Flávio Massano deixa em aberto que o relatório preliminar da IP, exatamente quanto à recuperação da Mata da Carvalheira, «não é assustador… mas leva-nos a refletir o que é que vai acontecer nos próximos anos naquela encosta».
Ao longo da semana passada os manteiguenses foram compreensivos com a medida e muitos nem deram conta dos cortes de água durante a noite. «Nestas situações é melhor desligar a água de noite do que de dia, uma vez que de noite estamos a dormir nem sentimos a falta», afirma Maria Santos, natural da vila, que considera que «foi a medida mais sensata a adotar pela autarquia».
António Pinto, com 70 anos, preparou-se assim que ouviu «nas fugas e nos cortes noturnos». Diz que faz a «vida com normalidade», mas critica que «a Câmara podia ter a água mais barata, estamos numa terra com tanta água e pagamos a água cara, quase ao preço da gasolina». Também Alexandrino Ganilha fala nos custos da água, criticando que em Manteigas «há água de gravidade e, por exemplo, antes pagávamos 2,5 euros do aluguer do contador, e agora pagamos 7,5 euros». Quanto às nascentes «destruídas» pelas tempestades, o manteiguense é rígido e pede aos responsáveis que «vão à procura delas, porque elas estão lá, e canalizem a água para os depósitos».

Ruturas estão resolvidas, mas há gastos ainda sem explicação

No momento em que a situação foi controlada, os problemas foram encontrados, e o abastecimento de água foi totalmente regularizado, apareceu um novo alerta que surpreendeu o autarca de Manteigas. Durante a reunião do executivo, o edil recebeu informações do grupo de trabalho que o deixaram surpreendido.
«Estou a receber a indicação de que o consumo noturno desta noite se aproximou daquilo que não queremos, e que nos deixa na dúvida sobre o que está a acontecer». E Flávio Massano explana o caso: «nas Fórneas, entre a 1h45 e as 3h30 da madrugada, de domingo para segunda-feira, gastaram-se praticamente 20 metros cúbicos – e isto não é uma rutura, porque não é constante. É, claramente, alguém que tem o deposito ou uma torneira ligada e que lega todos os dias tranquilamente a horta ou o jardim».
O edil avisa que a autarquia vai procurar «estas pessoas e vamos identifica-las. Se for através do contador, é legal, apesar de não ser recomendado, se for através de um contador fantasma ou de uma torneira ladrão é crime e, portanto, vamos ser implacáveis».

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