Fio de Prumo de Acácio Pereira: A região da Guarda deve reorientar-se para o Douro

Escrito por Acácio Pereira

Foi aprovado quase um milhão de euros de verbas europeias para o projeto de apoio à digitalização de empresas na Região Centro liderado pelo Instituto Politécnico da Guarda. O IPG irá impulsionar ao longo de dois anos a transição digital de pequenas e médias empresas (PME) nos setores industrial, agrícola e agroindustrial, de turismo e de serviços, para além de startups.
Esta é uma boa notícia para a região e para o IPG, que continua a concretizar a sua missão de funcionar como um polo de desenvolvimento da região. Mas há uma razão adicional para celebrar estar iniciativa – a sua ligação ao Douro.
O apoio à digitalização de empresas na Região Centro vai ser protagonizado por um consórcio que é participado em 40% pelo Politécnico da Guarda, detendo a Associação Distrital para a Sociedade de Informação do Conhecimento (ADSI), o NERGA – Núcleo Empresarial da Região da Guarda e a Capital Douro – Associação Industrial, Comercial e de Serviços as quotas restantes, no valor de 20% cada uma.
Importa sublinhar a integração da Capital Douro, sediada em São João da Pesqueira, neste projeto. Este facto simboliza a reabertura de um caminho que a Guarda, durante décadas, deixou adormecer: o alargamento da sua área natural de influência para Norte, em direção ao Douro.
A Guarda não pode continuar a posicionar-se como periferia de si própria, enclausurada numa designação administrativa indefinida e pouco funcional como é a chamada “Beira Interior”. Tem de se afirmar como centro de um território que vai da Beira Baixa ao Vale do Douro, articulando relações económicas, científicas e institucionais com territórios vizinhos.
A cooperação com o Douro, materializada neste consórcio, é um exemplo concreto dessa mudança de paradigma e do movimento necessário para que a Guarda aumente a sua influência real na região, contribuindo para o seu desenvolvimento.
O Politécnico da Guarda e os seus parceiros irão aplicar um milhão de euros na introdução de Inteligência Artificial (IA), de Internet das Coisas (IOT) e de tecnologias Blockchain nos modelos de negócios de empresas desta área de influência. Na primeira linha desta intervenção estarão empresas da Guarda e as startups instaladas na própria incubadora desnuclearizada do IPG.
Este é um projeto que se distinguiu num concurso de seis milhões de euros de fundos europeus: só a candidatura do IPG, ADSI, NERGA e Capital Douro ficou com um sexto do montante global distribuído por dez candidaturas, mais do dobro dos restantes projetos.

* Presidente do Conselho Distrital da SEDES Guarda e da Assembleia de Freguesia da Guarda

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Acácio Pereira

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