A maioria dos portugueses está cansada da instabilidade política que é cada vez mais evidente. A esta instabilidade acresce-se a fraqueza dos atuais atores políticos, que longe estão da eloquência e da capacidade intelectual dos protagonistas de outrora. Este é um reflexo da nossa sociedade, afinal de contas, os partidos são feitos de pessoas e os tempos que vivemos falam por si: a plasticidade e a superficialidade dominam a sociedade da era do imediato e do espetáculo. Estamos a desaprender de pensar, de questionar, de interpretar e de procurar saber. Esta é a receita ideal para partidos extremistas cavalgarem a desinformação e implementarem o discurso de ódio na boca dos portugueses. Não nos deixemos enganar nem cedamos a chantagens que pedem oportunidades que nada mais seriam que oportunidades para acabar com a sanidade da nossa democracia.
É dever de todos não desistir do nosso papel cívico e este dever tem que ser exercido cada vez com mais responsabilidade e exigência.
Desistir deste compromisso é deixar que outros escolham por nós.
Este domingo, dia 18, vamos às urnas para eleger os três representantes da Guarda na Assembleia da República que serão a nossa voz na próxima legislatura. É fundamental que os eleitos estejam, em primeiro lugar, ao serviço das pessoas e não dos interesses partidários e individuais.
Na legislatura passada, o Partido Socialista elegeu uma deputada neste círculo eleitoral. Uma só voz que, contra a maré da centralização e do esquecimento, fez ouvir a exigência do interior. Mas uma só voz não basta para a defender. A Guarda merece e precisa de mais. Mais investimento público, mais coesão territorial, mais políticas com visão de futuro e, sobretudo, mais deputados verdadeiramente comprometidos com a causa pública e com a região.
Nunca é demais relembrar que a candidata do PSD é o exemplo claro do que significa escolher o partido antes da região. Quando, enquanto deputada, teve a oportunidade de votar pela abolição das portagens nas ex-SCUT, escolheu votar contra uma medida justa e há muito reclamada pelas populações do interior. Foi uma escolha reveladora. Porque quando se representa um território como o nosso, não há espaço para tibiezas nem para fidelidades cegas. A política tem de servir as pessoas, não as direções partidárias. De que nos servem deputados que não nos defendem?
Do lado mais ruidoso do espectro político, cresce um populismo que se alimenta do ressentimento. Que aponta o dedo a todos, mas não constrói nada. O candidato do Chega, pela Guarda, não apresentou uma única proposta concreta para esta região. Não há qualquer compromisso, apenas frases feitas e indignação performativa. A democracia exige mais. Exige trabalho, estudo e entrega. E, sobretudo, exige um contrato com a verdade.
O voto é mais do que um direito, é uma construção moral e coletiva.
No próximo domingo, temos a possibilidade real de eleger dois deputados do Partido Socialista pelo círculo da Guarda. Duas vozes verdadeiramente comprometidas com o interior, com o desenvolvimento, com a equidade e com a dignidade de quem aqui vive. É essa a força de que precisamos para que não fiquemos sem voz na Assembleia da República.
A democracia constrói-se a partir do voto. Que o façamos com lucidez e que, ao votar, levemos connosco a memória do que fomos e a exigência do que queremos ser.


