O grande vencedor da primeira volta das eleições presidenciais é António José Seguro, uma vitória pessoal, uma vitória que não é do PS e conseguida mesmo contra os notáveis do PS. O candidato natural de Penamacor avançou sozinho, quando o nome dele foi burilado, entre outros, por Pedro Nuno Santos, e acabou por se impor ao próprio partido. Se após ter decidido avançar os “costistas” tudo fizeram para impedir o sucesso da candidatura de Seguro, no domingo à noite o candidato teve um resultado muito acima das previsões e confirmou-se que a sua estratégia de civilidade e moderação mereceu o apoio de um terço do eleitorado. Com 31,11% dos votos, o candidato que a esquerda não quis apoiar massivamente, por ser muito “centrista”, acabou por ser o grande agregador dos que não querem ceder ao populismo e à ascensão dos extremistas, mas para ser eleito Presidente da República terá de ter o voto do eleitorado do centro-direita. António José Seguro parte como favorito para ocupar um cargo de que os socialistas têm estado arredados nos últimos 20 anos, mas não será um passeio para o beirão, militante da secção do Partido Socialista da Guarda, que teve mais de 70% dos votos na sua terra (Penamacor), ganhou em todos os concelhos do distrito da Guarda e venceu em quase todos os distritos do país.
O segundo vencedor é André Ventura, o líder do Chega manteve o seu eleitorado, mas não cresceu em relação às legislativas. Agora já com capacidade de mobilizar muito para além das salas fechadas, Ventura consegue reunir à sua volta os desencantados com o espectro partidário tradicional. O seu discurso radical foi amaciado nos últimos dias de campanha, para passar uma imagem de estadista, que deverá manter até dia 8. A sua ambição de mudar tudo terá mais a ver com o governo do que com a presidência, mas deverá receber os votos da IL e até de um certo PSD mais conservador e reacionário. No imediato, André Ventura quer ser o líder da direita, se perder vai zurzir no governo até o abater e se ganhar «não ficará pedra sobre pedra»…
Luís Montenegro optou pela passividade de não escolher entre os dois candidatos à segunda volta. Compreende-se que o primeiro-ministro prefira abster-se por liderar um governo frágil e que depende muito do Chega para aprovar leis e medidas, mas essa decisão evidencia medo e fraqueza, uma escolha pelo curto-prazo e pela sobrevivência no governo, mas a longo prazo fragiliza o PSD, que vai sendo devorado pelo Chega. O país escolheu António José Seguro, mas foi Marques Mendes e o PSD que foram riscados nestas presidenciais. Ventura pode não chegar a presidente da República, mas o Chega vai destronar o PSD do governo antes da legislatura acabar.
PS: No próximo domingo, dia 25, no Rádio Altitude poderá ouvir a reportagem mais completa da madrugada da “Revolução dos Cravos”, “… e temos o povo”, numa escuta coletiva e presencial, com a colaboração do Jornal O INTERIOR e da Câmara da Guarda, para a qual convidamos todos os leitores.
O 25 de Abril nunca se voltou a escutar assim, desde 1974, como se vai poder escutar a partir das 14h30, na Casa da Rádio, com a presença de Adelino Gomes, o jornalista que relatou a madrugada de 25 de Abril de 1974 e uma das maiores referências do jornalismo português, e de Maria Inácia Rezola, Comissária executiva das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril.
Se a 29 de abril de 2023 o Rádio Altitude marcou as comemorações dos 49 anos da Revolução dos Cravos na região, a propósito do 75º aniversário da rádio local mais antiga do país, com o evento “Abril no Altitude – a revolução passou pela rádio”, no próximo dia 25 será o primeiro local onde poderá ouvir integralmente as primeiras horas da madrugada que mudou o país, “… e temos povo”, que ocorrerá, num périplo pelo país, no dia 25 de cada mês, durante o ano 2026. Venha ouvir connosco.


