A criação da rede de politécnicos em Portugal foi um processo que se consolidou a partir de 1986, com a publicação da Lei de Bases do Sistema Educativo, que consagrou o ensino politécnico e a criação dos primeiros Institutos Politécnicos a nível nacional para formar técnicos e profissionais com uma forte componente prática. Estas instituições, que integram uma rede de ensino superior mais focada na aplicação e no desenvolvimento do saber, possuem hoje um papel central no desenvolvimento económico e social de diferentes regiões do país – diferentemente, em relação ao ensino universitário, que se foca na investigação e na criação do saber, o ensino politécnico orienta-se pela aplicação do conhecimento, desenvolvimento e solução de problemas concretos.
Provavelmente, a implementação da rede de Politécnicos no país foi a maior e mais importante reforma estrutural e mais relevante medida de coesão territorial feita nos últimos 50 anos. Foram e são as instituições mais importantes da maioria dos distritos portugueses.
A nível nacional houve menor procura pelo ensino superior (menos 12 por cento) motivada pelas alterações das regras de acesso, pela falta de interesse dos jovens ou pelos custos de habitação, o que levou a que ficassem quase 16 mil vagas por preencher. Na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso o Politécnico da Guarda teve uma enorme quebra na ocupação de vagas comparativamente com os anos anteriores – o IPG colocou 278 alunos (mas 58 não se inscreveram). Os resultados das colocações da 2ª fase são conhecidos a 14 de setembro.
Na sequência da chegada dos novos alunos ao IPG, a Rádio Altitude foi ouvir alguns e, entre as muitas declarações, há uma que fica para a posteridade: «O curso foi a primeira opção, mas a cidade não»! Podemos interpretar a expressão das mais diversas formas, mas parece evidente que é urgente refletir sobre os cursos, o meio, o contexto, a cidade, a relação com as empresas, a imagem, a vida académica ou a capacidade de colocar o IPG na rota dos jovens. Pior, como se percebe pelas escolhas dos alunos das escolas da Guarda, que preferencialmente escolheram ir estudar para fora da Guarda, mesmo que para cursos iguais ou similares aos que o IPG ministra – a academia tem de se mostrar, tem que exibir as suas qualidades, tem de sair à rua e evidenciar que estudar no IPG é estudar numa instituição de qualidade. Os professores do IPG, a comunidade académica da Guarda, as instituições, os dirigentes e políticos têm de promover e divulgar uma mensagem positiva, de atratividade e sucesso. Sem isso, os estudantes da Guarda fogem e os de fora não se sentem atraídos. Se o IPG tem condições técnico-científicas e cursos com qualidade é urgente levar essa mensagem à comunidade (não ficar encerrado no casulo da Quinta do Zambito). Não basta ter muita formação, elevar os padrões de conhecimento ou cientificidade, evoluir para os mestrados ou doutoramentos, é preciso transmitir bem essa mensagem, em primeiro lugar para os estudantes e pais da Guarda, que não sentem o Politécnico como seu e como uma instituição de referência. É urgente falar às pessoas, tocá-las, envolvê-las, fazer os cidadãos da Guarda e distrito sentirem que o IPG é não apenas uma casa de saber, conhecimento e aprendizagem, mas a sua casa, a casa que pode formar e capacitar os seus filhos sem terem de partir para outras instituições de ensino longínquas, que por vezes até têm menos qualidade formativa. O futuro do IPG é importante para todos, para os que lá trabalham, para os estudantes e futuros profissionais, para a Guarda e para toda a região.


