A 12 de outubro, o povo português foi às urnas para decidir sobre os seus representantes no poder autárquico.
Quando são convocadas eleições, alguns dos diversos poderes são sujeitos a escrutínio e os eleitores, na sua sabedoria, penalizam uns partidos e premeiam outros.
Vem isto a propósito de uma crónica publicada neste jornal, a 9 de fevereiro de 2024, com o título “A campanha está na rua” (sítio na internet: https://www.ointerior.pt/opiniao/a-campanha-esta-na-rua/), em que o autor, no último parágrafo, refere: «No distrito de Portalegre, que só elege dois deputados, um poderá ser do partido de André Ventura – é inacreditável. (…) no distrito da Guarda, o terceiro deputado a eleger poderá ser o cabeça de lista do Chega (…) que ninguém conhece no distrito… Ou seja, os próximos deputados eleitos pela Guarda poderão ser Dulcineia Moura, Ana Mendes Godinho e, imaginem, o terceiro poderá ser Simões de Melo, do Chega (…)» (os realces a negrito e sublinhado são da minha autoria).
Imaginem, assim foi!
Nas últimas eleições legislativas, nas de maio de 2025, os eleitores do distrito da Guarda tornaram a mostrar confiança no partido Chega e no seu cabeça de lista, oferecendo-lhe ainda mais votos em termos absolutos e maior percentagem do que nas eleições anteriores. Ao que parece, o que provavelmente não estaria na imaginação do autor da crónica tornou-se realidade em 2024 e reforçou-se nas eleições seguintes. O povo “deu um banho de democracia” àqueles que se julgam donos dos votos e da vontade popular. Um “banho” de democracia e de soberania!
Agora, a 12 de outubro, o partido Chega enfrentou um novo desafio. Fomos todos chamados a exercer o direito de decidir os órgãos autárquicos e fizemo-lo em Liberdade. Aquela Liberdade que nos permite escolher quem nós achamos que melhor nos irá representar.
No distrito da Guarda, o partido Chega apresentou candidaturas em todos os municípios. Imaginem que em alguns teve melhores resultados que noutros. Imaginem até que, num deles, elegeu um vereador (em sete) e que passou de dois representantes, em duas Assembleias Municipais, para 12, em cinco Assembleias Municipais. O povo decidiu dar voz ao partido Chega para, em oposição, lembrar aos detentores do poder que existem formas diferentes e prioridades distintas, que sem oposição não há alternativas e sem alternativas não há uma verdadeira democracia.
O povo pediu ao partido Chega para cumprir a sua promessa de ser um arauto da transparência, do rigor e do interesse da comunidade em detrimento de interesses individuais, o que vai ser o objetivo dos eleitos do partido Chega nos diversos órgãos autárquicos.
Imaginem que, indo contra diversas opiniões publicadas, o povo decidiu eleger outros representantes para além dos habituais.
Acredito que haja quem se incomode com isso. Já eu, considero que a democracia se exerceu e que, aos poucos, os eleitores se vão libertando dos espartilhos que alguns, dos que talvez se considerem donos do regime, vão tentando utilizar para condicionar a vontade popular.
Imaginem, o povo começa a perder o medo!
Imaginem, a Liberdade existe!
* Deputado do Chega na Assembleia da República eleito pelo círculo da Guarda


