Alan Turing – Parte I

Escrito por António Costa

Alan Turing, um dos matemáticos e lógicos mais importantes do século XX, nasceu em Londres a 23 de junho de 1912. Foi o segundo filho de Ethel Sara Stoney e de Julius Turing, funcionário do Império Britânico colocado na Índia e que, devido ao seu trabalho, durante a infância dos filhos esteve frequentemente longe de casa.

O desempenho escolar de Alan Turing teve altos e baixos e, quando na Sherborne School começou a demonstrar uma clara predisposição para as ciências, especialmente para a matemática, poucos se manifestaram dispostos a apostar no seu futuro naquele campo. Esta situação também se ficou a dever ao facto de não se ter em grande conta a matemática no ambiente da Sherborne, escola em que as atividades desportivas tinham muito mais prestígio. Apesar do contexto pouco estimulante, Turing desenvolveu investigações matemáticas por sua conta, estudou de uma forma autodidata a teoria da relatividade de Einstein e, em 1931, conseguiu ser admitido no King´s College da Universidade de Cambridge.

Seguramente, o ambiente de Cambridge era mais adequado aos interesses científicos de Turing, que teve a oportunidade de frequentar as aulas de importantíssimos matemáticos e físicos como Godfrey Hardy e Arthur Eddington, que poucos anos antes tinha obtido a primeira confirmação experimental da teoria da relatividade geral de Einstein. Turing iniciou então uma prometedora carreira académica e, depois de publicar em 1936 o famoso artigo “On computable numbers, with an application to the Entscheidungsproblem”, obteve um lugar para doutoramento em Princeton, sob a orientação do matemático norte-americano Alonzo Church.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Turing foi reclamado em Inglaterra para trabalhar como criptógrafo em Bletchely Park, o centro nevrálgico onde as mentes mais dotadas dos serviços secretos britânicos procuravam decifrar os códigos secretos da Alemanha. O seu trabalho centrou-se no sistema “Enigma”, utilizado para as comunicações entre os submarinos alemães e as bases em terra firme.

Depois dos analistas polacos terem conseguido compreender o funcionamento do “Enigma” antes da guerra, os alemães acrescentaram um nível de complexidade para tornar o seu sistema praticamente indecifrável. Graças ao trabalho de Turing, o código “Enigma” foi decifrado e esse resultado teve uma importância decisiva no curso geral do conflito.
Uma vez finalizada a guerra, Turing foi condecorado com a Ordem do Império, embora o seu efetivo papel na descodificação dos códigos alemães só tenha sido revelado muito mais tarde, pois estava classificado como segredo de Estado. (continua…)

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António Costa

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