A Câmara de Penamacor contesta o encerramento do Serviço de Atendimento Complementar (SAC) no Centro de Saúde local nos dias em que não existe médico escalado.
A decisão, tomada pela Unidade Local de Saúde (ULS) de Castelo Branco sem «qualquer comunicação prévia» à autarquia nem às restantes entidades que trabalham com o Centro de Saúde, é «uma opção profundamente errada, lesiva do interesse público e gravemente prejudicial para a população do concelho», protesta a autarquia presidida por José Miguel Oliveira (PS).
Em comunicado enviado a O INTERIOR, o município de Penamacor considera que é «particularmente grave que, em vez de se reforçar o serviço, se opte por o encerrar parcialmente, penalizando quem vive e trabalha em Penamacor, e ignorando deliberadamente o esforço e a disponibilidade demonstrada pelo executivo que desde a sua tomada de posse, manifestou vontade e disponibilidade junto do presidente da ULS de Castelo Branco em colaborar e procurar ativamente soluções para reforçar a resposta de saúde no concelho, nomeadamente através da captação de mais médicos e da garantia do funcionamento do SAC com médico todos os dias».
A edilidade acrescenta que «tem procurado e contactado médicos e, inclusivamente, disponibilizou-se a assumir parte dos custos associados à sua vinda, sempre com o único objetivo de defender a população e assegurar cuidados de saúde de proximidade».
Entende, por isso, que «esta decisão é politicamente errada, socialmente injusta e territorialmente discriminatória, violando os princípios da coesão territorial, da equidade no acesso aos cuidados de saúde e do direito constitucional à proteção da saúde».
A Câmara de Penamacoe considera ainda que o encerramento do SAC nos dias sem médico equivale «à retirada de um serviço essencial num concelho do interior já fortemente penalizado pela perda sucessiva de serviços públicos».
«Num território envelhecido, disperso e com dificuldades reais de mobilidade, esta decisão coloca em causa a segurança das pessoas, aumenta o risco clínico e empurra os munícipes para deslocações longas, dispendiosas e, muitas vezes, impossíveis», alerta o município.


