O Natal já foi. Terminaram ontem as festividades e os desejos de boas festas. O espírito de Natal permanece, é sempre que um homem quiser, tendo o condão místico de encontrarmos práticas e personagens próximas a Scrooge que, no passado, personificam Gepetos, Pinóquios, escovinhas, bafos-de-onça, no presente patetas, irmãos metralhas, manchas-negras, grilos-falantes esperando encontrar no futuro o Gansolino, o professor Pardal, a fada-azul, tentando alcançar o asteróide de uma única rosa ou indo um pouco mais além: o reino maravilhoso de Torga aventurando-nos a correr atrás do coelho branco do país da Alice.
Pois é… Ontem, foi Dia de Reis. Um quarto do século XXI já passou. E que 25 anos foram estes… O mundo, o nosso mundo, está melhor!!!… O que queremos? Onde estamos? Por onde andamos? O que fazemos? Como fazemos? Porque fazemos?
A fome, a guerra, a ambição que cria ricos e pobres, as ações concretas de interajuda, o respeito pela dignidade do semelhante existe? Que mundo queremos se continuamos a assistir a discursos de ódio, de racismo, de xenofobia protagonizadas por seguidores maquiavélicos que nem por uma única vez percebem, tal e qual afirmou Elie Wiesel, que a intolerância é a fonte do ódio.
E se os políticos nem isto percebem que seja o quarto poder a assumir o papel de “watchdog” da sociedade, pese embora se dê conta de alguns burantinos do sistema e outros tantos de avental em riste que alinham e fazem o jogo da entourage reinante.
E assim vai o mundo, onde os comportamentos de quem dirige são execráveis, a reflexão leva-nos a olhar para o presente e o futuro do planeta:
Terramotos, tremores de terra, tsunamis, incêndios, vulcanismo, degelo e consequente subida das águas, rios poluídos, mares envenenados, furacões, secas, invernos cada vez mais curtos, aquecimento global, níveis de poluição a ultrapassarem o limite, utilização do carvão, recurso sistemático aos combustíveis fósseis.
Hoje mesmo, num período de 24 horas, não olhemos apenas para a indústria e para as chaminés das fábricas, mas fixemos os mais de 200.000 aviões e a cifra de pelo menos 5 mil milhões de carros que lançam para a atmosfera uma média de 200 gramas de CO2 por quilómetro percorrido.
Fez mês e meio que tudo isto foi recordado na COP 30, no Brasil, e, pasme-se, os quatro maiores poluidores mundiais recusaram-se a participar: Estados Unidos, Índia, China, Rússia e 64 países não quiseram apresentar estudos ou projetos para serem alcançadas metas climáticas. Das duas uma… Ou nos resignamos e nos rendemos à situação existente, ou, de forma inteligente, somos capazes de criar alternativas apostando em situações sustentáveis, até porque existem… Só falta mesmo menos interesses instalados e, claro, vontade política.
Ontem foi Dia de Reis. Terminaram as festas natalícias. E se o ouro é muito importante, o incenso tem de continuar a purificar o ambiente atraindo todas as energias positivas para que a mirra contribua para a saúde, que tem de ser mais e bem melhor, tendo sempre por objectivo o Homem, cidadão do mundo e contribuinte do sistema.
Não sei se Jamie Uys tinha razão… Sei, com toda a certeza, que os homens estão a ficar loucos.
Caro leitor, votos sinceros de um ótimo 2026.


