Oito distritos em risco de ficarem sem jornais a partir de janeiro

A partir de janeiro, poderá deixar de haver jornais à venda nos distritos de Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Vila Real e Bragança.
Este é o país que somos. Um país deslumbrado com a Internet, mas que continua a ser de analfabetos, de cidadãos que nunca compraram jornais nem leram um livro. Um país onde a alfabetização cresceu de forma extraordinária, em que quase metade dos jovens com menos de 40 anos tem uma licenciatura, mas cujo nível cultural continua na idade das cavernas. Onde a sociedade mal preparada e inculta continua pouco preocupada com valores como a democracia, a liberdade, o direito a estar informado, a pluralidade de opinião ou o rigor informativo.
A interioridade é tudo isto, e é mais: é vivermos numa região onde o acesso regular à imprensa, um direito consagrado na Constituição da República Portuguesa e um pilar essencial da democracia, passa a estar vedado.
No interior tudo fecha… fecharam as escolas e mataram a vida das aldeias e vilas; fecham serviços e acabam repartições; vai-se o médico e os centros de saúde; a Justiça fica cada vez mais longe… e as pessoas partem. Os jornais fazem falta a alguns. Mas a imprensa faz muita falta a todos, mesmo àqueles que nunca leram um jornal.
Bem podemos falar de Literacia Mediática quando já nem jornais podemos ler… Este é o país que somos, um país dividido entre Litoral e Interior, entre cidades desenvolvidas e ricas e um interior pobre e abandonado.

Sobre o autor

Luís Baptista-Martins

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