Ao longo desta caminhada junto dos guardenses fui sempre falando da necessidade de “cuidar – fixar – atrair” populações que cá residem e que gostaríamos que viessem a residir.
Estamos num distrito, à imagem dos restantes distritos do “interior”, que vê a população a decrescer em número e a aumentar em idade. Somos cada vez menos e cada vez mais velhos. Assim sendo, e querendo cuidar de quem está, o investimento na área da saúde é fundamental. Num tempo em que o Hospital da Guarda perde valências e o Serviço Nacional de Saúde no distrito se mostra incapaz de servir a sua população, um investimento privado é tido como de grande importância e primordial para o apoio às gentes do distrito. Vejo, pois, com muito bons olhos a instalação na cidade da Guarda de uma infraestrutura com esse fim, origem e capacidade.
Defendendo eu um SNS (SISTEMA Nacional de Saúde) que integre o setor público, privado e social, baseado no apoio ao doente e não em preconceitos ideológicos, a construção de um Hospital Privado seria um passo relevante nesse sentido. A vir a acontecer, ganhará a Guarda e o distrito.
Agora, por um momento, olhemos para o processo. Sabemos o que a CERCIG tem feito em proveito de uma parte significativa da população da Guarda ao longo dos últimos 50 anos. A sua missão é, também, prover cuidados de saúde, o que se insere no cuidar e fixar a população. A CERCIG merece, pois, o carinho de todos nós e, por maioria de razão, da Câmara Municipal da Guarda. Não merece um tratamento privilegiado, mas merece um tratamento condigno a tudo o que tem feito nos últimos 50 anos e a tudo o que se propõe fazer. Trate-se igual o que é igual e diferente o que é diferente.
Com a informação que detenho, parece que o processo não terá sido conduzido consensualmente. Se a construção de uma infraestrutura de primeira necessidade para o distrito não consegue ter o apoio unânime dos envolvidos é porque algo não correu bem na sua tramitação.
Gostaria que o projeto CERCIG e o projeto Hospital Privado fossem compatíveis.
Favoreço o princípio de não se trabalhar numa dialética de uns contra os outros, mas sim de uns com os outros.
Sabemos que a maneira mais fácil de se garantir um apoio sólido é arranjar-se um inimigo comum. No entanto, os últimos quatro anos não nos dão razões para pensarmos que é este o caso.
Não sei ainda como tudo acabará, sei sim que, uma vez mais, a Guarda poderá passar ao lado da criação de sinergias entre o novo e o existente, deixando a população pior do que estava e, sobretudo, sem poder aceder a cuidados fundamentais na área da saúde.
A todos os responsáveis neste processo deixo um pedido, sejam políticos, ou seja, cuidem da cidade (política = cuidar da polis) sabendo que a política é “a arte do possível”. Ponham os superiores interesses da população da Guarda em primeiro lugar e não se esqueçam que o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Assim, sendo possível, mais vale fazer nascer de novo… direito!
O povo do concelho, do distrito e da região agradecer-vos-á!
* Deputado do Chega na Assembleia da República eleito pelo círculo da Guarda


