X-Throne: O império de influência de Elon Musk

Escrito por Pedro Fonseca

Desde que adquiriu o Twitter, em 2022, Elon Musk passou a dispor de uma rede social própria – que rebatizou de X – para partilhar opiniões sobre os mais variados temas. Os seus “tweets” são apresentados a mais de 210 milhões de seguidores e, através do algoritmo da plataforma, a muitos outros utilizadores. A esta audiência impressionante temos ainda de adicionar todos aqueles que, não sendo sequer utilizadores do X, tomam conhecimento das suas mensagens pela vasta cobertura mediática que lhes é dispensada.

Nos nossos dias poucas figuras conseguem ombrear com Musk na disputa pelo título de pessoa mais influente do mundo. Uma prova dessa vasta influência foi o seu papel na vitória de Trump, um contributo que o catapultou para número 2 da hierarquia informal dos EUA. Mas, como para o homem mais rico do mundo essa posição sabe a pouco, as fronteiras do seu império de influência continuam a expandir-se.

No X, o ano de 2025 iniciou do mesmo modo que terminou 2024: com o dono da Tesla a fomentar uma viragem à direita na Europa. Os alvos preferenciais são a Alemanha e o Reino Unido, duas das principais economias mundiais e dois dos poucos países europeus governados por partidos de centro-esquerda. Em ambos os casos, Musk lançou uma sequência de críticas aos atuais governantes e declarou o seu apoio aos respetivos partidos de extrema-direita. Sondagens recentes indicam que o AfD poderá alcançar o segundo lugar nas eleições legislativas alemãs de fevereiro (atrás da CDU, de centro-direita) e que o Reform UK está agora a apenas um ponto percentual dos “Labour”.

Beneficiando de uma influência global sem precedentes, o rumo dos acontecimentos mundiais parece estar, assim, refém das ambições e decisões de Musk, mas também dos seus caprichos e preferências pessoais. A receita não é nova: a aquisição de meios de comunicação social foi sempre um caminho fácil para os mais abastados entrarem na vida política pela “porta grande” e promoverem os seus ideais. Mas alguns dos ingredientes mudaram. Desde logo, a fonte de informação primordial da maioria das pessoas já não são os meios de comunicação social tradicionais, mas sim as redes sociais. Além disso, as redes sociais não estão sujeitas às mesmas regras ou ao mesmo nível de escrutínio por parte de entidades reguladoras. Foi por isso que Musk adquiriu o X e não a CNN ou o “Washington Post”.

Bem vistas as coisas, a este novo mundo onde a informação circula por entre poucas ou nenhumas fronteiras já tardava o aparecimento de um pretendente ao seu trono. Importará não perder de vista que o pretendente em questão não tem interesse em concorrer a cargos políticos. Dispensa mandato, sondagens e protocolo. A sua base de apoio é constituída por seguidores e não por eleitores. O que lhe interessa verdadeiramente é amplificar o seu poder de comunicação para poder continuar a condicionar agendas políticas nacionais e a influenciar a vida política internacional.

* pedrorgfonseca@gmail.com

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