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Câmara implementa projeto-piloto de recolha de lixo no parque industrial e na PLIE

Escrito por ointerior

A Câmara da Guarda vai implementar um projeto-piloto de recolha de resíduos no sistema “Pay As You Throw” (PAYT) – em português, pagar pelo que se produz – no parque industrial da cidade.
O serviço vai consistir na recolha de resíduos sólidos urbanos e de materiais recicláveis nas empresas ali instaladas, que vão passar a pagar pelo lixo que produzem e já não por uma tarifa indexada ao consumo de água. «É um sistema que tem vindo a ser implementado na Europa central e do norte e é um caminho a fazer», explicou Sérgio Costa aos jornalistas no final da reunião quinzenal desta segunda-feira. Segundo o autarca, a legislação dos resíduos sólidos urbanos «já obriga a que os municípios comecem a fazer o caminho para a implementação deste sistema». Na Guarda, vai começar-se pelo parque industrial e pela plataforma logística. «O processo está em curso, vamos ter que fazer algum investimento inicial para que as empresas passem a ser taxadas, não pelos consumos de água, mas pelos resíduos que efetivamente produzem», disse Sérgio Costa.
«Cada empresa vai ter o seu contentor de lixo e será depois contabilizado o respetivo volteio, em determinados horários, se estiver cheio ou não. Quanto menos resíduos tiver naquele contentor, melhor, porque sabemos que desta forma estão a valorizar, a reciclar tudo o resto. Nestas áreas, os contentores de resíduos sólidos urbanos que estão na rua vão desaparecer», adiantou o autarca. Sérgio Costa considerou que esta mudança vai «valorizar muito as empresas que fazem a separação e vai prejudicar aquelas que não o façam». Futuramente, a Câmara tenciona avançar para outras áreas empresariais no concelho e, daqui a uns anos, implementar o PAYT junto dos munícipes. «Vai demorar anos, mas este é o caminho, porque são as obrigações legais e porque os aterros sanitários estão a chegar ao fim da sua duração. Alguns deles, no país, em dois anos, podem entrar em colapso», acrescentou.
Na segunda-feira, o executivo decidiu retirar da ordem do dia a proposta de aquisição de um prédio urbano situado na Avenida dos Bombeiros Voluntários Egitanienses. Trata-se do edifício envidraçado, situado em frente ao centro comercial La Vie, e que foi avaliado em 362 mil euros, valor pelo qual a Câmara propunha fazer negócio. Os vereadores da coligação PSD/CDS/IL levantaram várias dúvidas sobre o processo, nomeadamente que poderá ser um «fracionamento artificial de um contrato», uma vez que no início de setembro a Câmara adquiriu dois edifícios no Passo do Biu ao mesmo proprietário. A dúvida foi levantada por Alexandra Isidro, que explicou que «não estamos contra a compra de edifícios, o que queremos é perceber o que estamos a comprar, o valor, o procedimento e se tem base legal», disse a vereadora independente. Na reposta, Sérgio Costa justificou que esta aquisição tem por finalidade «alojar empresas tecnológicas e servir como espaço expositivo». O presidente da Câmara acusou também a coligação PSD/CDS/IL de «inventar falsidades» e garantiu que o assunto irá novamente à reunião do executivo devidamente esclarecido. «A intenção de aquisição é para manter», afirmou.

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