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Investidores desistem do empreendimento Quinta das Minas da Recheira

Escrito por Jornal O Interior

O litígio entre investidores da Quinta das Minas da Recheira e a autarquia da Covilhã parece ter chegado ao fim. Os promotores do empreendimento turístico na freguesia do Barco anunciaram no final da semana passada que vão desistir do projeto «por causa do executivo da Câmara da Covilhã», segundo nota enviada às redações.
Parado há três anos por falta de licenciamento, o empreendimento que pretendia dinamizar as antigas minas de estanho e volfrâmio daquela localidade não irá avançar. Luís António Sabido, engenheiro que se tem apresentado como porta-voz da sociedade Os Melhores Rabiscos, Lda, esteve presente na última reunião pública do executivo covilhanense mas não chegou a intervir por ter chegado minutos após o fim do tempo destinado à participação do público. Apesar disso, o empresário explicou aos jornalistas que assim que tivesse as licenças da Direção-Geral de Energia e Geologia, «que não dependem da autarquia», iria iniciar a atividade nas galerias. No entanto, alguns dias depois aquele responsável informou que os «investidores portugueses e estrangeiros envolvidos neste projeto reuniram de emergência e decidiram desistir do empreendimento».
Contactado por O INTERIOR, Luís Sabido afirmou que este desfecho resulta «da atitude do executivo da Câmara da Covilhã», ressalvando que «a decisão foi dos investidores e, por isso, este é um assunto que me ultrapassa». De resto, acrescentou ter já pedido que o «afastassem do processo». O engenheiro, que agora nega toda a responsabilidade de decisão em relação a este investimento, alega que fez um pedido de licenciamento à Câmara da Covilhã em 2014 e que o mesmo «desapareceu» do departamento de Urbanismo. Pela falta de resposta, a obra avançou sem a documentação necessária, tendo sido embargada pela autarquia e está parada há cerca de três anos. Armando Serra dos Reis, vereador com o pelouro do Urbanismo da Câmara da Covilhã, nega o sucedido e alega que «o que deu entrada em 2014 foi um pedido de informação», tendo o pedido de licenciamento para as obras, entretanto iniciadas, apenas sido entregue em fevereiro de 2019.
Após várias notificações por parte da autarquia, relativas a incoerências e incorreções na documentação da obra apresentada aos serviços técnicos camarários, Luís Sabido acusa o município de «não ter interesse» no desenvolvimento do empreendimento e acusa o executivo de estar «preocupado em “inventar” e “criar” entraves e problemas referentes ao licenciamento» da obra em questão. Apesar das acusações do engenheiro, Armando Serra dos Reis sempre elogiou a obra e garantiu que, «apesar dos erros, tudo é corrigível, desde que haja vontade em cooperar por parte dos investidores». Cai assim por terra um investimento de 3,5 milhões de euros, que iria criar «20 postos diretos de trabalho», segundo os promotores.

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