A Assembleia Municipal de Trancoso aprovou, na semana passada, uma proposta da Câmara para reconhecer a Feira de Trancoso (Feira Franca de S. Bartolomeu e outras feiras do concelho) como património cultural imaterial de interesse municipal, com vista à sua salvaguarda e divulgação.
A Feira Franca de S. Bartolomeu, criada por carta régia de D. Afonso III em 1273, é a feira franca mais antiga do país ainda em atividade e serviu de modelo a vários monarcas para a criação de outras feiras do mesmo tipo um pouco por todo o país, como em Coimbra, Viseu, Porto, Amarante, Bragança, Castelo Branco, Feira, Barcelos ou Chaves. Para além da Feira de S. Bartolomeu, foram ainda reconhecidas as 72 feiras semanais, anuais ou temáticas que se realizam por ano no concelho, ou seja, em média, uma feira a cada cinco dias.
Segundo o município trancosense, «as feiras são um elemento central da identidade dos habitantes do concelho e têm um impacto decisivo na economia, ritmos e hábitos das comunidades». Como medidas de salvaguarda e promoção destes eventos socio-comerciais, foram apresentadas várias medidas que vão desde «a melhoria dos espaços onde decorrem as feiras, a revisão dos regulamentos, a promoção de atividades que preservem a memória e a aposta ambiciosa na sua divulgação». A Câmara de Trancoso pretende, posteriormente, candidatar a “Feira de Trancoso” (expressão genérica utilizada por Gil Vicente no Auto de Mofina Mendes, em 1534) a Património Cultural Imaterial de âmbito nacional.


