Há quatro anos, nas eleições autárquicas, foi eleito para a Câmara Municipal da Guarda um movimento que se apresentou como independente: o “Pela Guarda”. Convém, no entanto, esclarecer que a maioria dos guardenses não votou nesse movimento. Dos 23.628 votantes, 15.069 escolheram outras opções – nomeadamente o PS e o PSD. Apenas 8.559 eleitores votaram no PG.
O líder desse movimento, Sérgio Costa, militante do PSD desde 1995 – onde foi presidente da concelhia, vereador e vice-presidente da Câmara – apresentou-se, na altura, como o rosto da renovação, defendendo o afastamento dos partidos. Dizia, em entrevista à Rádio Renascença (14 de setembro de 2021), que «os partidos estão muito enquistados e as cúpulas não se podem servir das pessoas para resolver os seus interesses».
Hoje, quatro anos depois, o cenário não podia ser mais contraditório. Sérgio Costa abandona o tal movimento independente e recandidata-se à boleia de dois partidos sem qualquer implantação local: o Partido Popular Monárquico e o Nós, Cidadãos!.
O padrão repete-se: aproveitar uma estrutura para alcançar o poder e, assim que ela deixa de ser útil, descartá-la e procurar outro veículo que melhor sirva os seus objetivos pessoais.
A diferença? Desta vez não há disfarce possível.
Aquilo que antes criticava como vícios do sistema, jogos partidários e “velha política” passou a ser, afinal, o seu próprio modo de operar. Deixa cair o movimento que criou, trai os independentes que o acompanharam e recorre a partidos irrelevantes para escapar ao constrangimento de não conseguir reunir as assinaturas necessárias para uma candidatura independente.
Isto não é um ato de coragem, é um gesto de puro desespero.
Não é convicção. É oportunismo no seu estado mais cru.
Esta manobra revela duas verdades desconfortáveis:
Um profundo desrespeito pelo eleitorado que confiou num projeto que agora é descartado sem escrúpulos e a ausência total de visão para o futuro da Guarda.
Não há projeto, não há ideias, não há ambição coletiva. Apenas a obsessão de manter o lugar, custe o que custar.
A candidatura de Sérgio Costa representa hoje um vazio. Um vazio de obra, de princípios, de ética e de representatividade.
Porque a independência política não deve ser usada como um artifício. É uma convicção de princípios e quem abdica dela por conveniência trai tudo aquilo que um dia prometeu defender.
A Guarda não merece ter protagonistas que só pensam no reinado. Não somos palco de vaidades.
É tempo de virar a página e de recuperar a confiança na política local.
É tempo de colocar a Guarda verdadeiramente em primeiro lugar; não ao serviço de ambições pessoais, mas ao serviço de todos. É tempo de respeitar as pessoas, a política e as instituições. É tempo de mudança.


