Pumba! Não foi preciso nem uma semana. Escrevia aqui na edição passada que as luminárias flutuantes que celebraram (alguns efusivamente) a morte de Charles Kirk haveriam de sair para a rua a gritar contra perseguições. Não foi preciso nem uma semana. A Disney, que merece todos os males do mundo por ter arruinado os bonitos contos de fadas que a Europa criou, cancelou o programa do Jimmy Kimmel. De imediato, se ouviram os urros lancinantes contra a censura vindos das cavernas onde ainda se festejava o assassinato de Kirk.
Não haja equívocos – o cancelamento, entretanto também já cancelado, do programa de Kimmel foi uma tentativa censória por parte do regulador norte-americano. Não haja enganos – a administração Trump 2.0 não tem nem terá vergonha nenhuma de silenciar os adversários. Eu, que não sou fã de Kirk nem de Kimmel, acho que ambos deveriam poder continuar a falar. Sou totalmente contra qualquer política de cancelamentos e de censura, venha de onde vier. Acontece que a Disney reconsiderou e o programa de Kimmel vai voltar. Acontece que, mesmo que o assassino reconsidere, Kirk já não volta a fazer comícios. Os progressistazinhos totalitários acham isto uma vitória civilizacional. É assim que percebo que a civilização que eles querem construir é aquela que eu quero combater.
Recapitulo para os distraídos. Nos EUA e na Europa, houve cabeças que, pelas mesmas razões – tentativa de silenciar opiniões contrárias –, exultaram a morte de uma pessoa e choraram o despedimento de outra. E para os confusos – esta coincidência acontece dentro da mesma massa encefálica. Há mesmo pessoas que, simultaneamente, acham bem que um Kirk seja assassinado por ter ideias diferentes das suas, mas considera terrível que um Kimmel seja despedido por ter ideias diferentes dos outros. Para esta gente, isto é ser humanista.
Prometo que, para a semana, vou voltar às tentativas de ser engraçadinho. Como o Kimmel.
* O autor escreve de acordo com a antiga ortografia


