Carlos Condesso e Rui Ventura decidiram nos últimos dias apoiar publicamente a candidatura da Covilhã a Capital Portuguesa da Cultura 2028. Ou seja, estão a dar a cara para que a candidatura da Guarda ao mesmo objetivo seja derrotada. Os cartazes em que ambos aparecem são a exibição pública da sua traição ao distrito de origem.
As ações ficam sempre com quem as pratica, mas é na forma como se reage ao que acontece que se vê a dignidade de quem as sofre. A comunidade da Guarda, cidade e concelho, e do seu distrito, acabam de ser vítimas de uma traição que revela, não só desconsideração e desprezo, mas também um sentimento de impunidade por parte de quem a cometeu.
Carlos Condesso foi chefe de gabinete do presidente da Câmara Municipal da Guarda, é hoje o autarca de Figueira de Castelo Rodrigo, preside à Comunidade Intermunicipal da Região Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE) e já presidiu à distrital da Guarda do PSD. Rui Ventura sucedeu-lhe na presidência da distrital do PSD, já presidiu à Câmara Municipal de Pinhel e é hoje presidente do Turismo do Centro.
Ambos têm vínculo à Guarda, sendo este o distrito onde fizeram toda a vida pública e política e no qual têm pedido o voto aos cidadãos. Quando a Guarda e a Covilhã decidiram candidatar-se a Capital Portuguesa da Cultura 2028, para além de apoiarem a candidatura da capital do seu distrito, a Guarda, apoiaram também a candidatura da Covilhã. Atendendo a que um preside à CIMRBSE e o outro ao Turismo do Centro, e que ambos incluem a Covilhã nos seus territórios, podia aceitar-se a suposta equidistância: imaginando que ambos torceriam pelo seu distrito, via-se a extensão do apoio à Covilhã como um “dever de ofício”.
Afinal, não. É pela Covilhã, e não pelo distrito cujo eleitorado tem votado neles, que estão a envidar esforços. Ambos estão em campanha contra o seu território de origem e contra a cidade que o representa.
Esta traição à Guarda é com eles. Com a Guarda e com os guardenses será a forma como a comunidade irá reagir a este desaforo.
A história ensina-nos que, quando três aliados de Viriato aceitaram o suborno do general romano Servílio Cepião e o mataram enquanto ele dormia no Cabeço das Fráguas (bem perto da Guarda), o general recusou-lhes o pagamento. Antes ordenou a sua execução e expôs os corpos com a frase em latim “Roma traditoribus non praemiat” – Roma não paga a traidores.
Quem pede o voto aos seus concidadãos e depois os desconsidera, merece uma resposta firme em futuras eleições. Não vale tudo.


