Centro histórico da Guarda, promessas e… nada.

Escrito por Acácio Pereira

Prometeu muito, não fez nada e, mesmo assim, continua a prometer já em ritmo de pré-campanha, como se os guardenses fossem vítimas de amnésia coletiva. Sérgio Costa entrou na Câmara garantindo renovação, jurando ir devolver vida ao centro histórico, dinamizar os mercados, reabilitar edifícios degradados e criar novos espaços públicos. Basta, porém, um passeio pela zona antiga da cidade para perceber que o que lá está é desleixo, ruína e abandono. Ouvem-se as mesmas promessas de sempre, mas sente-se o vazio da propaganda que não se traduz em obra.
O centro histórico é, por isto, o termómetro da governação municipal. Na Guarda, esse termómetro está no vermelho, não vale a pena inventar desculpas. Se não há obra feita, a responsabilidade é de quem governa – e Sérgio Costa só se pode culpar a si próprio.
A verdade é que a cidade está há anos refém de projetos por concretizar. O primeiro é a tão falada Praça dos Sabores, apresentado como a joia da requalificação do centro histórico. Um espaço de dinamização económica e cultural que nunca passou da maquete. Há anos que se fala, há anos que se promete – e há anos que nada se faz.
Mais grave foi um edifício na zona histórica ter ruido parcialmente. Um sinal da degradação do património, ignorado até ao colapso. A resposta? Mais uma promessa: transformar o espaço em Casa das Artes. É este o padrão: não se antecipa, não se planeia, espera-se que caia. Não se resolve, promete-se.
O terceiro exemplo é a antiga Casa da Legião, que seria demolida para dar lugar a uma nova praça. Mais uma vez, o vazio – sem plano conhecido, sem projeto divulgado. Apenas com o habitual anúncio pomposo, embrulhado em autoelogio. Sempre a mesma forma: atira-se para o futuro com grandiloquência para ocultar a ausência do presente.
Nos canais de comunicação da autarquia, todavia, a imagem de Sérgio Costa surge em permanência. Como se a gestão da cidade se fizesse com a sua repetição em vídeos institucionais, entrevistas programadas e inaugurações sem conteúdo. Mais do que o culto da personalidade, o importante seria governar. Só que governar é mais do que aparecer – é fazer.
Governar exige obra, não autopromoção. Exige responsabilidade, não encenações. Acima de tudo, exige respeito pelos cidadãos e pela cidade. Sérgio Costa prometeu muito, cumpriu pouco e, mesmo assim, continua a prometer, como se ninguém estivesse a ver.
A cidade e o concelho estão a ver. E o centro histórico da Guarda – esse espelho partido da governação – não deixa enganar.

* Presidente do Conselho Distrital da SEDES Guarda

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Acácio Pereira

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