Trump é uma personagem americana que exerce o poder como todos os outros presidentes americanos de modo histórico. Exercem o poder da força a pedido de países e a seu benefício, desde que a América existe como potência.
A Venezuela era governada por um selvagem errático com manifestações de ilegalidade e de poder de músculo, exercendo tortura, perseguição, assassino de opositores, interferindo com a justiça e instituições.
A realidade mundial mostrou diversas vezes que só a ação externa altera o poder criminal. Precisámos do Vietname para destruir a carnificina de Pol Pot. Foi a intervenção internacional que impediu o genocídio entre tutsis e hutus. A falta de verdade é assumir que não houve sempre intervenções necessárias. Pecou-se muitas vezes pela ausência, como contra Idi Amin Dada, como contra a loucura no Haiti, como contra a guerra no Iémen. A ingerência é um processo de resolução de conflitos. Foi essencial na Síria para acatar o radicalismo muçulmano. A Jugoslávia existia na Europa dos anos 90 e foi um espaço de crime e genocídio que terminou com várias independências. A maioria dos criminosos desses dias não foi julgado. A guerra acabou com ingerência internacional. Os Estados Unidos funcionam como a grande potência mundial e deve exercer essa sua função quando os seus interesses carecem de defesa. Mas essa América baseia a sua existência com a constituição e os limites da lei sobre o poder das eleições. O primado da lei garante a não tirania na América. A realidade é que a velha esquerda totalitária, que adora impedir a voz alheia, que apoiou os crimes de Fidel Castro e critica os de Pinochet, que é seletiva nas ditaduras e crimes, que é altamente facciosa sobre os mortos das ideologias, dependendo das bandeiras, sente o chão a fugir debaixo dos pés. Trump é um momento revolucionário que veio surpreender o discurso ditatorial do mundo dos reguladores, certificadores, construtores de normas, instrumentalizadores de direitos. O mundo de Trump é de outro jaez, onde os negócios e a força bruta só são controlados pelo exercício democrático das estruturas não eleitas, em que o exercício do controlo tem hierarquias intocáveis. O voto permite a palhaços, loucos e tontos irem a votos (veja-se Portugal presidencial), mas as instituições democráticas legítimas e definidas pela Constituição garantem que as eleições se repetem e outros bailarinos aparecem. Trump é a democracia do voto, a escolha americana por agora.


