Aproximamo-nos do final do pior mandato autárquico que a Guarda já conheceu e, mais de três anos volvidos, a obra é inexistente. Perdemos tempo, dinheiro, afirmação regional, nacional e internacional, talento e investimento. Transformamo-nos num carrossel de adjudicações diretas, comprando eventos por catálogo, de forma a simular ação e a esconder a inércia e a falta de rumo.
O movimento “Pela Guarda” abandonou a Guarda, destruiu a sua cultura e passou o tempo a festejar o poder dos que não têm outra coisa para celebrar. Assistimos ao culto da imagem do presidente da Câmara, num egocentrismo preocupante para aquilo que deveria ser a causa coletiva. A gestão foi sempre feita de forma autocrática, até os próprios vereadores eleitos pelo movimento PG foram silenciados para que a voz soante fosse apenas uma, a de Sérgio Costa, o que levou à corajosa renúncia ao cargo de uma então vereadora, por não se identificar com esta conduta e, possivelmente, por não sentir o seu trabalho respeitado e considerado.
Presenciámos a altivez e a sobranceria de um edil, ao dizer que será o presidente desta cidade dos próximos 10 anos, como se de nada importasse a vontade dos guardenses.
Da comunidade académica, artística e empresarial do país chegaram-me, a certa altura, múltiplas partilhas da notícia que nos colocou numa posição vergonhosa e imperdoável: “Teatro Municipal da Guarda perde 800 mil euros da DGArtes por decisão do presidente da Câmara”. Mataram o TMG, que era a nave espacial que nos elevava a nível nacional.
A narrativa adotada por Sérgio Costa foi sempre a mesma: arrogante, vitimizadora, autoritária e manipuladora. A falta de respeito democrático foi, e continua a ser, uma constante na condução dos trabalhos. Vereadores e deputados da oposição são vistos, pelo presidente da câmara, apenas e só como bode expiatório do seu péssimo legado. Servem somente para culpabilizar pelos erros presidenciais, desviando as atenções do verdadeiro culpado. Falamos de vereadores e deputados que estão eleitos em representação da maioria dos guardenses e que deveriam ser ouvidos, respeitados e incluídos em todas as decisões.
Sérgio Costa nunca esteve verdadeiramente interessado na Guarda nem nunca trabalhou pela Guarda. É um político profissional, com mérito na capacidade argumentativa, que luta para se manter no poder o máximo de tempo possível, optando pela estratégia populista, própria dos mais fracos, de distribuição de cheques, pagamento de promessas e retórica de dedo em riste. Neste universo unipessoal, a Guarda é o paraíso na terra e Sérgio Costa fala-nos da cidade e do concelho que não existem, a não ser no seu discurso. Vive na tentativa de persuadir os guardenses da ilusão que cria a cada frase proferida.
Enquanto isto, a Guarda reprime-se e atrasa-se a cada dia, vendo o seu futuro cada vez mais incansável.
É urgente uma mudança profunda. Precisamos de pessoas capazes de trabalhar de uma forma responsável e orientada, com critério, estratégia, respeito pelos demais, conhecimento e verdadeiro amor à Guarda.
Não podemos adiar o futuro nem podemos continuar a usar este lugar para alimentar egos. É tempo de se refletir e exigir o que se merece, de voltar a olhar para o que somos, recuperar o tanto que perdemos e construir o que precisamos. É tempo de construir o futuro e tal não se faz com condutas e pessoas como as que têm estado a gerir os nossos destinos coletivos.


