P – Perante o apagão sentido na segunda-feira, que medidas foram imediatamente ativadas pela Proteção Civil?
R – O nosso trabalho consistiu na coordenação entre entidades e no contacto de proximidade com os serviços municipais, a proteção civil e as entidades que têm assentes no Centro de Coordenação Operacional Sub-regional, no sentido de trabalharmos em colaboração para reestabelecer o mais depressa possível tudo o que eram as infraestruturas críticas e para sensibilizar as entidades para a ativação dos planos de contingência.
P – Quais foram os principais desafios enfrentados durante este episódio?
R – Todas as situações foram praticamente resolvidas ao nível dos serviços municipais de proteção civil. O maior trabalho foi dos serviços municipais de proteção civil, dos coordenadores municipais e da E-REDES, que teve um papel fundamental, sempre em proximidade com todas as entidades e com a locação de geradores para reestabelecer a energia o mais rápido possível. O maior desafio foi garantir que os hospitais estavam a funcionar, os lares tinham energia elétrica, reduzir ao máximo o impacto do constrangimento da falha de energia e também a questão do fornecimento das águas públicas, pela necessidade de colocar energia nas centrais elevatórias de água.
P – Que serviços foram os mais afetados na Guarda?
R – Em termos de infraestruturas críticas, o funcionamento decorreu dentro daquilo que era a contingência do momento, mas conseguiu-se garantir o funcionamento de todas.
P – Houve registos de situações de emergência devido à falha de energia?
R – Nós temos o registo centrado na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e todas as ocorrências na Sub-Região das Beiras e Serra da Estrela. Nesse sentido, tivemos ocorrências de abertura de elevadores, mas de grave não houve nenhuma ocorrência. Apelámos logo à população para se manter tranquila e alertámos para a gestão responsável e evitar consumos desnecessários, para atenuar ao máximo e para conseguirmos garantir que as infraestruturas essenciais tinham os serviços mínimos garantidos.
P – Como foi feita a comunicação com a população perante a situação?
R – A comunicação foi feita através das redes sociais, tanto dos serviços municipais, da Proteção Civil, como da própria Autoridade. Também comunicámos pelas instituições públicas e através de notificações emitidas por SMS.
P – Depois do que se passou, vão ser revistas ou reforçadas as medidas de prevenção e resposta?
R – Para nós, Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em primeiro lugar estão as pessoas e os bens e naturalmente que depois do evento há sempre a necessidade de avaliar um conjunto de lições aprendidas para melhorar aquilo que é a nossa resposta e o nosso serviço público. Aqui, importa, efetivamente, trabalharmos todos para aquilo que é o aumento da resiliência das infraestruturas críticas e da capacidade de autonomia por mais tempo. O abastecimento de combustíveis também sofreu uma gestão muito minuciosa por parte dos coordenadores municipais e da proteção civil.
P – Este apagão levou a identificar alguma fragilidade na preparação da região para situações de emergência?
R – Dentro daquilo que foi a situação da crise energética, praticamente todos os eventos tiveram uma resposta de nível municipal. Nós tivemos em contacto permanente com todos os coordenadores municipais. Inicialmente, começou por se fazer o levantamento de todas as necessidades das infraestruturas críticas como centros de saúde, lares de idosos, hospitais, etc., para perceber que tempo é que teríamos de autonomia e que tipo de necessidades é que iriamos ter. Os serviços municipais de proteção civil conseguiram resolver mais de 90% das ocorrências. Por isso, consideramos que foi uma boa resposta.
Perfil
João Miguel Santos Rodrigues
2º Comandante Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Região das Beiras e Serra da Estrela
Idade: 40 anos
Naturalidade: Canas de Senhorim
Profissão: 2º Comandante Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Região das Beiras e Serra da Estrela
Currículo (resumido): Licenciatura em Segurança Comunitária, Condecorado Medalha de Serviços Distintos – Grau Prata da Liga dos Bombeiros Portugueses, Curso de Quadros de Comando na Escola Nacional de Bombeiros, Formador Combate a Incêndios Rurais na Escola Nacional de Bombeiros, Formador Salvamento e Desencarceramento na Escola Nacional de Bombeiros, Curso de Brigadas Helitransportadas na Escola Nacional de Bombeiros, Técnico de Fogo Controlado, Técnico de Fogo de Supressão, 2.º Comandante Operacional Distrital da Guarda, Chefe de Grupo da Força Especial de Proteção Civil, Comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de Seia, Comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim, vice-presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Viseu.



