Cara a Cara

«O PSD da Guarda tem sido, em larga medida, sustentado pela dinâmica da JSD»

Escrito por ointerior

P – Quais são os seus projetos para a JSD da Guarda?

R – Não ocorreu uma eleição na JSD Distrital. O anterior presidente, Carlos Cunha, renunciou ao cargo após a sua eleição para presidente da concelhia do PSD de Celorico da Beira. Sendo eu o primeiro vice-presidente, assumi a presidência da JSD até ao final deste mandato (abril de 2027), onde, aí sim, haverá lugar a um novo Congresso Distrital que elegerá novos órgãos. O meu maior projeto é conquistar os cidadãos com uma estrutura combativa, conhecida pelas suas propostas e pela capacidade de marcar a agenda no distrito. O potencial da nossa ação é grande porquanto é também grande a nossa visão da política: estamos aqui para servir e acrescentar, num verdadeiro exercício de cidadania desinteressada. Tudo o que fiz na política foi sem esperar nada em troca a não ser o desenvolvimento do meu concelho e do meu distrito. Quero, por isso, uma JSD Distrital da Guarda próxima, dinâmica e influente no debate político. Vamos reforçar o contacto direto com as forças vivas dos concelhos, ouvindo os nossos militantes e demais jovens nas escolas, associações, autarquias e instituições de ensino superior, envolvendo-os na dinamização de atividades que criem soluções para os desafios do território com uma comunicação interna e externa inovadora e eficaz. Reconhecendo que a nossa verdadeira força está nas bases, queremos reativar todas as concelhias a breve trecho. Já temos três mais próximas da reativação – Mêda, Seia e Aguiar da Beira – e queremos também devolver Manteigas à dinâmica ativa da JSD.

P – O que tem faltado nestes últimos anos para a Distrital ser mais ativa?
R – Sou militante do PSD há sete anos e posso dizer, com toda a segurança, que a JSD Distrital é das estruturas políticas mais dinâmicas do distrito. Recordo-me do trabalho de Fernando Melo e acompanhei de perto os mandatos de Luís Soares e Carlos Cunha, companheiros que saúdo e aos quais deixo uma palavra de grande apreço e admiração. Apesar de haver ciclos de menor atividade política, como é natural, a JSD esteve sempre presente em todos os concelhos a ouvir os militantes e a apresentar propostas. A maior e mais elevada característica desta atividade foi a tomada de posições públicas corajosas e coerentes com aquilo que sempre defendemos. A JSD Distrital foi e é uma estrutura ativa porque tem a capacidade de se expressar de forma coordenada, coerente e, acima de tudo, livre. A liberdade é a pedra de toque da nossa atividade e é esse o legado que eu honrarei: um legado de liberdade e de coragem política. No que a este ano de final de mandato diz respeito, tenho plena confiança na equipa que me acompanha para cumprir esse desiderato. Podemos sempre intensificar a nossa atividade e melhorar a nossa comunicação, mas aqui eu prefiro ver o copo meio cheio. Na hora da verdade, a JSD Distrital, nos últimos anos, nunca falhou à Guarda.

P – Os jovens estão bem representados e são tidos em conta pelos órgãos concelhios e distritais do partido, ou servem apenas para fazer campanha e animar comícios?
R – Essa pergunta é quase um cliché, mas, no caso da Guarda, revela algum desconhecimento da realidade local. Nos últimos anos, a questão da “representação formal” perdeu relevância face a um problema mais profundo: a fragilidade da própria estrutura local do partido. Na prática, o PSD da Guarda tem sido, em larga medida, sustentado pela dinâmica da JSD. A concelhia não teve expressão política relevante. É uma estrutura ausente na ação, sem trabalho consistente, sem reconhecimento e sem capacidade de afirmação. Isso ficou evidente, aliás, na campanha autárquica, onde o contributo foi praticamente nulo, por manifesta incapacidade de mobilização e de trabalho político. Infelizmente, sempre que a concelhia do PSD foi falada foi pelos piores motivos. A estrutura não tem uma visão para a Guarda e acaba por reduzir a atividade política a lógicas internas ou a interesses pessoais, aquilo a que as pessoas chamam, sem rodeios, “tachos”. Em sentido contrário, a JSD da Guarda tem-se afirmado por uma forma diferente de estar. O trabalho dos últimos anos é reconhecido: nas intervenções na Assembleia Municipal, onde muitas vezes liderámos o debate; na oposição firme ao anterior executivo independente; e no papel ativo na campanha autárquica liderada por João Prata, na qual fomos a única estrutura local do partido sempre presente. Por isso, mais do que “servirem” para animar campanhas, os jovens têm sido, na prática, quem tem dado rosto, conteúdo e dignidade política ao PSD no concelho. Acho que tudo o que fiz na política com as minhas equipas é o oposto de abanar bandeiras e alimentar a ideia de que devemos servir e obedecer, apesar de ser essa a visão de muitas pessoas dentro do partido.

P – É militante na concelhia da Guarda, quem vai apoiar nas eleições de 30 de maio?
R – Integrei uma das listas sufragadas no passado dia 28 de fevereiro. Contudo, quero deixar bem claro que a única estrutura do PSD ativa no concelho da Guarda, neste momento, é a JSD Concelhia, e um dos motivos do meu apoio a Pedro Nobre, entre muitos outros, logicamente, é o entendimento de que é necessário que o PSD tenha duas estruturas concelhias ativas e dignas.

P – Como vê o partido na Guarda e no distrito?
R – Também nos sinais dados pela pergunta anterior se percebe a dimensão do desafio que o PSD tem pela frente: afirmar-se, credibilizar-se e voltar a ser relevante junto da sociedade. Na Guarda, o primeiro sinal de mudança foi dado no dia 28 de fevereiro. Espero que o PSD da Guarda tenha a vontade e a liberdade de mudar de rumo. Mas, se isso não acontecer, estou certo de que a nova equipa da JSD concelhia – que me acompanhou durante a minha presidência – continuará a assumir essa responsabilidade e a garantir o nível de exigência que o partido precisa. A nível distrital, o cenário não é muito diferente. Persistem estruturas fechadas sobre si próprias, muitas vezes mais preocupadas com o que a política lhes pode dar do que com aquilo que podem dar aos seus territórios. Ainda assim, há sinais positivos na presença de muitos jovens em órgãos autárquicos em vários concelhos, e é esse trabalho de base que importa consolidar. Um PSD forte no distrito constrói-se a partir de concelhias fortes. E a JSD continuará a fazer a sua parte: intervir, exigir e, quando necessário, dizer o que tem de ser dito.

Entrevista a Francisco Robalo, presidente da JSD Distrital da Guarda

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