Bilhete Postal de Diogo Cabrita: Um passo que pode ser um risco

Escrito por Diogo Cabrita

António José Seguro foi a minha escolha durante muitos anos e foi a minha desilusão pelo completo silêncio de dez anos.
Eu estava errado e ele regressou em triunfo e ganhou, tornou-se Presidente da República, também com o meu voto. Fiz o meu apoio público e transparente.
António José Seguro representa um modo sereno e pausado de estar na coisa pública. Não grita, não vocifera, não perde o controle.
O novo Presidente veste bem, é elegante, tem um percurso ideológico de décadas e representa este país de modo clássico.
As Presidências Abertas parecem-me uma ideia interessante, a sua presença próxima parece uma inevitabilidade, a condução de estratégia e logística num tempo de ruído sem fundamento pode trazer benefícios. O tempo dos dedos em riste sossega com Seguro.
Há, no entanto, um sinal de perigo que se levanta. Nomear alguém para um cargo-sombra do executivo é uma ideia pequena. Adalberto Campos Fernandes é palavroso, que rima com vaidoso. É ambicioso, que rima com venenoso, e vai tentar um pacto na saúde, onde ninguém se entende.
No fundo, António José Seguro, o Presidente, atira uma pedra para o caminho de Ana Paula Martins.
Este é o primeiro sintoma de uma doença no magistrado de Seguro. Não deve e não tem que imiscuir-se no trabalho executivo. Não é necessário, e não parece bem, nomear um ex-ministro para desenhar um caminho na saúde.
Vigiar o trabalho do Executivo, pedir para ouvir as estratégias da ministra, chamar a sua presença à Presidência, isso tudo é da função, isso tudo é um caminho indiscutível.
Em conversa com a ministra Ana Paula Martins, pode e deve sugerir, pode e deve interpelar. Adalberto é pedra no sapato, Adalberto é micose entre os dedos do pé. Claro que o homem não recusou.

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Diogo Cabrita

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