Sociedade

Câmara da Guarda pede «cautela» no dossier Hotel Turismo

Escrito por Carlos Gomes

Secretário de Estado do Turismo anunciou que abertura do concurso para requalificação do imóvel seria publicada na segunda-feira, mas foi adiada

O concurso público para a requalificação do Hotel Turismo da Guarda, foi um dos assuntos abordados na reunião do executivo municipal da Guarda, na segunda-feira.
O anúncio foi feito no passado dia 18 pelo secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, que assegurou que a abertura do concurso seria publicada esta segunda-feira, mas tal não se verificou. Na reunião quinzenal do executivo camarário desta segunda-feira, o presidente da autarquia, Sérgio Costa, referiu que «até agora [17h30] ainda não se concretizou o anúncio daquele membro do Governo», mas «não podemos dar tiros de pólvora seca que podem não dar em nada», alertou. O presidente do município disse que se trata de «um processo de tal modo enviesado que, por isso, devem todos ter muita cautela», referindo ainda que já sabia que o lançamento do concurso não seria publicado hoje. «É preciso dar tempo ao tempo para pôr as coisas a mexer e não haver forças de bloqueio conforme houve no passado» e quiçá «outros interesses».
Sérgio Costa salientou mesmo que «todos tiveram responsabilidades até agora» e que, por isso, não vale a pena, colocarem-se agora, outros intervenientes, de outra cor partidária, colocarem-se em bicos de pés, deixem-se disso que não leva a lado nenhum».
A vereadora da coligação PSD/CDS/IL, Helena Saraiva, que substituiu João Prata, apresentou um voto de congratulação pelo anúncio feito nos meios de comunicação social e pela solução que «irá ser implementada». A independente salientou que «houve imensas iniciativas a partir de 2010 pelos diversos governos que estiveram no poder, mas até hoje nunca surgiu a tal solução a contento do interesse da Guarda» esperando que «agora seja vez» e que «a curto prazo tudo esteja resolvido». Também o vereador do PS, António Monteirinho, começou por recordar que «já é o segundo anúncio deste Governo», sublinhando ainda que «árvore que nasce torta tarde ou nunca se endireita».
O socialista espera «estar enganado em relação às expetativas» e que «seja mesmo aberto o concurso, que que surja um vencedor para que as obras possam iniciar-se, devolvendo o hotel à cidade e aos guardenses». António Monteirinho realçou que «todos os intervenientes políticos dos últimos anos têm responsabilidades neste processo», porque os governos centrais sempre foram dizendo «que era desta vez, mas, até agora, ainda não foi». Recorde-se que o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, anunciou, na passada quarta-feira, durante a audição na Comissão da Economia e Coesão Territorial, que seria lançado, na segunda-feira, o concurso público para a requalificação do Hotel Turismo, na sequência do despacho de setembro do ano passado que revogou o contrato de arrendamento com a Enatur. O governante referiu que o Turismo de Portugal, na sua qualidade de proprietário, colocará o imóvel no mercado para requalificação, com opção de compra.
Pedro Machado admitiu que o processo «é um parto difícil de uma gravidez que deve ter pelo menos 16 anos». O Hotel Turismo, encerrou em 2010. Há 16 anos.

Parque Urbano da Encosta Norte também foi tema de discussão

Outro assunto abordado na reunião do executivo municipal foi o projeto de requalificação da encosta norte da cidade. Uma intervenção de um milhão de euros que inclui a zona entre a Avenida dos Bombeiros Voluntários e a Avenida Monsenhor Mendes do Carmo, assim como a requalificação do antigo Largo da Feira, com uma nova mata municipal. A obra conta com financiamento de cerca de 60% ao abrigo do programa Centro 2030, nas redes interurbanas, no âmbito de uma parceria com municípios da região centro.
O vereador do PS, António Monteirinho sugeriu que esta obra fosse o ponto de partida para a implementação de um projeto de «mobilidade global da cidade» com a implementação de equipamentos mecânicos, elétricos ou outros, facilitando o acesso das pessoas ao centro da cidade. «A encosta norte e a zona da Central de Camionagem e Mercado Municipal, são dois exemplos que necessitam desse tipo de equipamentos, como já acontece noutras cidades», realçou.
Na resposta, Sérgio Costa referiu que «todo e qualquer mecanismo elétrico, mecânico, eletromecânico, seria chumbado porque não é filosofia deste aviso, deste tipo de projetos», a mesmo tempo questionou «porque é que há 20 anos se pensou num funicular e não se fez? Certamente porque a câmara não tinha dinheiro e não se fez. Se um dia houver financiamento para essas coisas lá estaremos», referiu.
Já a vereadora do PSD, Alexandra Isidro, realçou que «a tertúlia da passada sexta-feira, para recolha de ideias e contributos para o futuro parque urbano da encosta norte, surgiu depois da aprovação do concurso para a referida obra, o que, não faz sentido». A vereadora quis saber se «com esta recolha de opiniões pode haver alguma alteração ao projeto» e disse «esperar que depois de requalificado, esse espaço possa ser fruído, ter gente, que é o mais importante». Sérgio Costa garantiu que «algumas sugestões que foram apresentadas para melhorar o processo podem e devem ser implementadas, num espaço que está mal tratado há mais de 20 anos».

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