Opinião de Fidélia Pissarra: Um valentão sem bússola ética e sem coluna moral

Escrito por Fidélia Pissarra

Uma imagem devastadora descreve o adversário de António José Seguro: grita pela “pátria” dia após dia, mas perde a coluna perante a exposição dos atos vis dos que o rodeiam e apoiam. É bom a aproveitar-se dos media, mas insulta-os quando o confrontam com as sua próprias trapalhadas e contradições. Dá em apresentar-se como se fosse uma cama de hotel recém-feita para onde podemos deslizar depois de a lavandaria desaparecer, como as primeiras pegadas na neve acabada de cair, como um diário em branco, mas depressa se percebe que a partir daí é sempre a descer. E, se nos descuidarmos, acabamos é entre lençóis cheios da neve que o cão trouxe para a nossa cama enquanto mastigava o bom do novo diário. Ou seja, não há como ignorar que nada do que diz e faz, à luz do bom senso, tem qualquer sentido. Daí que o “reset” que nos propõe possa ser tudo menos aquilo de que ele nos quer convencer.
Se não vejamos, apologista do deus-pátria-família, dizem que terá desistido de deus para casar com aquela criatura simples, bem capaz de dar à luz e criar uma família, para agora dizer que por “questões de segurança” não o pode fazer. O que, por si só, bem nos diz da sua capacidade. O homem, se não está a mentir e não quer é filho nenhum, seja para escolher seguranças mais à altura dos seus ideais de vida, seja para escolher uns colégios privados ou simplesmente uns perceptores que lhe ensinassem a canalha sem que esta precisasse de ir à escola, pelo menos pessoalmente não consegue realizar-se. Por isso, das duas uma, ou as ideias do homem estão mais desarrumadas do que uma árvore de Natal que caiu pelas escadas abaixo ou então não confia na mulher para algo tão complicado como a maternidade. Ora, como nenhuma das hipóteses se coaduna com o perfil de alguém que quer ser determinante para as nossas opções pessoais e políticas, há muito que, à semelhança do que quer que façamos com os imigrantes, o deveríamos ter recambiado para as suas origens. E, se ainda não o fizemos, terá sido mais por falta de empenho e compromisso dos bons do que pela determinação dos maus que, tal como a da do chefe, é mais trapalhona do que as balbúrdias com que os palhaços dos pequenos circos pretendem fazer-nos rir.
Ter um deputado que rouba malas nos aeroportos e usa passa-montanhas para participar em eventos de agremiações de nacionais socialistas não é para qualquer um. Por isso, nem sequer nos podemos admirar que, de tão encantados com o líder, haja tantos a não dar conta disso ou, pior ainda, a não se incomodarem nada com isso. Aliás, ignorando, querendo, à força toda, ignorar o passado do país, dos próprios pais e avós, munidos de mentiras e desinformação, ainda hão de vir vociferar que só querem é acabar com os socialistas, quando está mais que visto que o que querem é acabar com a democracia. A propaganda contra os “socialistas” é que lhes tem saído bem. Mas caso a propaganda contra os portugueses, o pai e a mãe tivessem o mesmo efeito, usá-las-iam com a mesma determinação. Até porque, a julgar pelos factos, o que mais os mobilizará nesta saga anti-socialistas será mesmo o facto de, ao invés de nacionais socialistas (nazi), com o Estado a supervisionar a determinar tudo, os socialistas portugueses preferirem ater-se no liberalismo e na social-democracia.

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Fidélia Pissarra

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