A população de Pêra do Moço, no concelho da Guarda, contestou a possível instalação de uma fábrica de biometano na área da freguesia.
Cerca de meia centena de populares participaram, no sábado, numa sessão de esclarecimentos promovida pela empresa promotora, a Lambert Bioenergy, na Casa do Povo da localidade, onde os residentes foram unânimes na contestação ao projeto. «Escolha outro sítio e deixe-nos em paz», disse, a certa altura, uma residente após António Monteirinho, que representa o investidor – um fundo de investimento – na Guarda, explicar, sozinho, o que se pretende fazer. «O único interesse da empresa é ganhar dinheiro, não vem trazer nenhum benefício para a nossa aldeia», considerou, por sua vez, José Almeida, um dos fundadores do Movimento de Cidadãos de Avelãs de Ambom e Pêra do Moço.
O residente na aldeia vizinha de Avelãs de Ambom ainda pediu a António Monteirinho «três boas razões para aceitarmos perder aquilo que temos de bom». O consultor respondeu com «a criação de emprego, o desenvolvimento da atividade económica, a produção de fertilizante orgânico e a redução da pegada ambiental», mas não convenceu os presentes. «Onde vão buscar a água necessária e para onde vão as águas residuais da fábrica», perguntou, por sua vez, Alina Loureiro, ao que o consultor respondeu que esta «não é uma indústria de consumo intensivo de água». António Monteirinho assegurou ainda que o projeto não vai gerar cheiros ou poluição. «Existe uma intenção de investimento, ainda não há projeto e não haverá se a população estiver contra», afirmou depois. Foi quanto bastou para um dos presentes sugerir uma votação de braço no ar e, como seria de esperar, todos levantaram o braço em sinal de oposição ao projeto.
A Lambert Bioenergy realizou no domingo outra sessão de esclarecimentos, em Avelãs de Ambom, cujo desfecho foi similar. Recorde-se que a Câmara e a Assembleia Municipal da Guarda aprovaram, em setembro, a declaração de interesse municipal para o investimento da Biometano Cosmos, sediada em Lisboa, uma subsidiária da Lambert Bioenergy, em terrenos situados entre aquelas duas aldeias do concelho da Guarda.



