Região

Viúva Monteiro suspende carreiras entre a Guarda e o Sabugal

Escrito por Jornal O Interior

Transportadora reclama o pagamento de uma dívida de 178 mil euros, mas Câmara da Guarda afirma que «não detém qualquer contrato» com a empresa que incida sobre serviços de transportes urbanos ou interurbanos

A Viúva Monteiro deixou esta semana de fazer carreiras diárias de transporte de passageiros entre o Sabugal e a Guarda, alegando a falta de pagamento da autarquia. O município nega qualquer dívida e afirma que «não tem qualquer contrato» com aquela transportadora sediada na cidade raiana.
Na segunda-feira, vários passageiros das aldeias do concelho servidas por este serviço regular ficaram apeados e viram-se forçados a recorrer a meios alternativos de transporte, inclusive boleias, para chegar à cidade. No fim de semana, a empresa tinha afixado avisos na central de camionagem da Guarda a informar os passageiros que as carreiras Sabugal-Guarda e Guarda-Sabugal seriam suspensas «por tempo indeterminado» a partir de dia 5. A Viúva Monteiro aconselhava ainda os utentes que pretendessem reclamar que o fizessem junto da «Câmara Municipal», uma vez que a empresa «tentou, ao longo de um ano, encontrar soluções alternativas sobre as quais não teve qualquer tipo de resposta por parte desta entidade».
Ao final do dia, o município emitiu um comunicado onde afirma que a Câmara da Guarda «não detém qualquer contrato com a empresa Viúva Monteiro & Irmão, Lda. que incida sobre serviços de transportes urbanos ou interurbanos». Acrescenta ainda que a autarquia «não tem qualquer responsabilidade pela cessação dos serviços, pelo que repudia veementemente o teor do comunicado da aludida empresa que, de forma explícita, mas inverídica, imputa ao município da Guarda a responsabilidade da cessação». A edilidade informa ainda os utentes que, «dentro das suas possibilidades», vai assegurar, «transitoriamente», os transportes das carreiras suspensas pela operadora nos limites do concelho, servindo as localidades de Pega, Panóias, Santana da Azinha, Adão, Marmeleiro, Monte Margarida, Casal de Cinza, Pousade, Rochoso e Vila Fernando, entre outras.
O INTERIOR tentou contactar a administração da Viúva Monteiro, o que não foi possível até ao fecho desta edição, mas Ana Luísa Monteiro, em declarações ao “JN”, acusou a Câmara da Guarda de «por em risco a sobrevivência» de uma empresa que, em 2020, comemorará um século de existência. A gerente acrescentou que solicitou ao município «a revisão de preços em futuros cadernos de encargos», pois serão «alguns milhares de euros que estão em causa e nos fazem falta para continuar a operar». O diário cita também uma carta enviada na semana passada à autarquia em que a transportadora formalizou a suspensão das carreiras «por falta de pagamento de uma divída de 178 mil euros contratados por sucessivos ajustes diretos». O assunto também já chamou a atenção do CDS-PP, que pediu esclarecimentos à Câmara através da presidente da Assembleia Municipal. «A supressão desta carreira regular vem acrescentar mais dificuldades à vida dos munícipes que dependiam deste serviço para se deslocarem para os empregos e para terem acesso a outros serviços existentes na sede do concelho, como sejam os de saúde», sustenta Henrique Monteiro, líder da bancada do CDS naquele órgão, que também pede que «a normalidade do transporte seja de imediato reposta».

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