Região

«O Inovcast e a reabilitação do Palácio Ducal ainda não avançaram porque o dinheiro não é elástico»

Escrito por Jornal O Interior

P – O Centro de Inovação Social, na antiga escola primária, está praticamente pronto. Qual é o objetivo deste projeto?
R – Atendendo às dificuldades financeiras do município, só conseguimos implementar estes projetos porque praticamente todas as candidaturas que apresentámos foram aprovadas. Foi assim com a área de acolhimento empresarial, onde, dos 845 mil euros, conseguimos cerca de 710 mil de financiamento e é assim também no Centro de Inovação e Desenvolvimento Social. Era uma lacuna muito grande que sentimos na cidade, onde não há um centro de dia, existe apenas um lar da Misericórdia, porque nem toda a gente tem possibilidades para ir para o lar. Este espaço vai permitir que muitas pessoas possam passar o dia, conviver, num centro devidamente equipado e a custos simbólicos.

P – Quem vai gerir esse espaço?
R – A autarquia não será com certeza, pois iremos ter uma associação a colaborar na sua gestão. Em frente do edifício iremos criar uma área de apoio, ao ar livre, com um jardim bonito, zona de estar e equipamentos de atividade física.

P – O estádio municipal também em obra, com a autarquia a optar por instalar uma pista de atletismo, porquê?
R – Trancoso é e quer ser um concelho de referência na prática desportiva. Temos dois clubes no Distrital de futebol da Iª Divisão, o Desportivo de Trancoso e o Vila Franca das Naves, cujos estádios já têm as condições mínimas. O estádio municipal, que está concessionado ao GD Trancoso, carecia de obras requalificação da bancada, dos balneários e dos muros, e aproveitámos uma candidatura ao programa de Beneficiação de Equipamentos Municipais (BEM) para avançar. Fomos contemplados com 180 mil euros e decidimos fazer também uma pista de atletismo devidamente homologada e com as medidas oficiais para podermos receber provas oficiais. Isto porque o Grupo Desportivo tem feito um trabalho excelente no atletismo, que é uma modalidade de que os nossos jovens gostam muito e temos uma prova que já é uma referência a nível regional, a Corrida da Liberdade, no 25 de Abril. Quem sabe se daqui a alguns anos, graças a esta pista, não possa aparecer um grande atleta do concelho a nível nacional.

P – Trancoso foi o único concelho das Beiras e Serra da Estrela apoiado para a construção de um canil devidamente enquadrado nas novas regras? Como está esse projeto?
R – Era outra lacuna que sentíamos porque circulam muitos animais errantes pela cidade e pelas freguesias. A nossa candidatura para criar um centro de recolha oficial de animais foi aprovada e a sua abertura, junto ao mercado do gado, será uma forma de solucionar este problema. A obra está a decorrer muito bem e creio que estará concluída no final do Verão.

P – E como está a incubadora de empresas Inovcast? É uma das grandes apostas do executivo para este mandado? Quando arranca?
R – Era e é. É um projeto que queremos concretizar neste mandato no antigo quartel da GNR, no centro histórico, tal como a requalificação do Palácio Ducal. São dois projetos que ainda não avançaram porque o dinheiro não é elástico, mas o projeto do Inovcast já está aprovado e tem garantias de financiamento no âmbito do Plano de Ação e Reabilitação Urbana (PARU). Mas para uma Câmara como a nossa, que tem estas dificuldades financeiras, mesmo os 15 por cento de cada uma destas empreitadas é muito e não podemos concretizar tudo. O Inovcast está parado porque queremos cumprir a lei dos compromissos e só a poderemos lançar quando tivermos fundos disponíveis, é o nosso sentido de responsabilidade. Mas vai ser um projeto extremamente importante para Trancoso, pois iremos ali colocar o Atelier da Castanha, um miniauditório, um espaço para degustações e provas de vinho, além do acolher o Gabinete de Apoio ao Agricultor e o Gabinete de Apoio ao Emigrante. A incubadora de empresas funcionará no piso superior e estará muito vocacionada para os jovens que saem da Escola Profissional. Já a intervenção no Palácio Ducal, outra obra importante que queremos concretizar em breve, vai ser feita de acordo com o projeto que está a ser elaborado com a Universidade da Beira Interior. O objetivo é instalar ali o Museu da Cidade e criar um auditório municipal, faltam apenas termos fundos disponíveis para avançar.

Sobre o autor

Jornal O Interior

Deixar uma resposta