O cancro do colo do útero é causado maioritariamente por infeção persistente pelo vírus do papiloma humano (HPV), especialmente os tipos 16 e 18. Habitualmente, esta é uma patologia que evolui de forma lenta e assintomática, o que reforça a importância da prevenção.
A nível global, trata-se do quarto cancro mais comum entre as mulheres, estimando-se a ocorrência de cerca de 600.000 novos casos e 350.000 mortes anuais, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Em Portugal, temos uma incidência de cerca de 15 novos casos por cada 100.000 mulheres ao ano, o que representa, ainda assim, centenas de novos diagnósticos.
Mas o que é afinal o HPV? É um vírus frequente, que pode infetar homens e mulheres, e é transmitido por contacto sexual. Na maioria das pessoas, o vírus desaparece espontaneamente sem causar doença, no entanto, quando a infeção se mantém (infeção persistente), pode provocar alterações nas células do colo do útero e evoluir para cancro.
O rastreio do cancro do colo do útero permite detetar a presença do HPV e identificar alterações nas células, através da citologia (teste de Papanicolau), sendo recomendado a todas as mulheres de acordo com a idade e as orientações clínicas. Ao participar, permite-se a deteção de alterações ou da doença em fase inicial, possibilitando o tratamento e evitando a evolução para cancro em fase avançada. Este processo deve ser integrado num acompanhamento próximo em consulta de Ginecologia, garantindo uma vigilância personalizada e contínua.
A prevenção passa, em primeiro lugar, pela vacinação contra o HPV, que está incluída no Plano Nacional de Vacinação para rapazes e raparigas aos 10 anos de idade. Esta vacina é segura e eficaz, podendo também ser benéfica em outras idades. Além da vacina, é fundamental efetuar exames regularmente e utilizar métodos contracetivos, de forma a reduzir o risco de transmissão do vírus. Por fim, recomenda-se não fumar, uma vez que o tabaco aumenta o risco de desenvolver este tipo de cancro. Através destas medidas e de uma monitorização clínica regular, o cancro do colo do útero torna-se maioritariamente prevenível e tratável, desde que seja detetado atempadamente.
* Especialista em Ginecologia-Obstetrícia no Hospital CUF Viseu
N.R.: Esta secção é uma colaboração mensal do Hospital CUF Viseu, na qual os seus profissionais partilham conselhos e dão dicas sobre saúde.



