Opinião CUF de Ana Flávia Resende: Dor no ombro? Pode ser tendinite

O ombro é a articulação mais móvel no nosso corpo. É ele que nos permite fazer quase tudo: desde o gesto simples de pentear o cabelo ou vestir um casaco, até aos movimentos mais exigentes no desporto. Toda esta liberdade de movimentos depende de um conjunto de músculos e tendões a que chamamos coifa dos rotadores.
No entanto, por ser tão móvel, o ombro acaba por ser também vulnerável à ocorrência de algumas patologias e é assim que surge uma das queixas mais comuns nos consultórios: a tendinite.
Mas, afinal, o que é a tendinite? De forma simples, a tendinite é a inflamação de um ou mais tendões do ombro. É uma das grandes causas de dor e, muitas vezes, o motivo de absentismo laboral ou parar de praticar exercício. Normalmente, quando o ombro inflama a culpa é do esforço excessivo ou de um desequilíbrio muscular. Pense no ombro como uma engrenagem. Se fizermos movimentos repetitivos de forma errada, se tivermos uma má postura enquanto estamos sentados à frente da secretária ou se houver o desgaste natural da idade, a “peça” começa a sofrer e inflama.
O corpo avisa, e os sinais de alerta costumam ser claros: dor e falta de força, especialmente ao levantar o braço ou ao tentar coçar as costas, e dificuldade em dormir, já que a dor pode agravar-se durante a noite, tornando difícil encontrar uma posição confortável para descansar.
Para identificar o problema, o primeiro passo é sempre uma primeira conversa com o médico e o exame físico. Depois, podem ser solicitados alguns exames para confirmar o diagnóstico como a radiografia (Raio-X), que ajuda a excluir fraturas ou artroses, enquanto a ecografia e a ressonância magnética são as mais indicadas para avaliar os tecidos moles, como os tendões, e determinar exatamente onde se encontra a inflamação.
Para a grande maioria das tendinites, o tratamento foca-se em dois pontos principais: o alívio da dor, através de gelo e anti-inflamatórios, e a fisioterapia, essencial para corrigir a postura, devolver o equilíbrio aos músculos e colocar o ombro a funcionar corretamente. Em casos mais resistentes, pode recorrer-se a infiltrações (injeção de anti-inflamatórios ao redor do tendão) ou, em última instância, à cirurgia por artroscopia (técnica minimamente invasiva que permite reparar os danos no interior da articulação).
O melhor remédio, no entanto, é a prevenção. Cuidar do ombro é garantir a nossa independência, por isso, para evitar chegar ao ponto da dor, é importante manter uma postura correta no trabalho, praticar exercício físico regularmente para fortalecer os músculos e fazer pausas e alongamentos se o seu trabalho exigir movimentos repetitivos. Lembre-se: prevenir hoje é o segredo para um futuro com movimento e sem limitações. Se a dor persistir por mais de uma semana ou se dificultar o sono, não facilite e procure um médico.

* Ortopedista no Hospital CUF Viseu

N.R.: Esta secção é uma colaboração mensal do Hospital CUF Viseu, na qual os seus profissionais partilham conselhos e dão dicas sobre saúde.

Sobre o autor

Ana Flávia Resende

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