Há 26 anos, O INTERIOR nascia com um propósito claro: dar voz a uma região e afirmar o interior como espaço de relevância, dinamismo e identidade. Duas décadas e meia depois, mantemos intacta a convicção que nos moveu desde o primeiro dia — servir os leitores com rigor, independência e compromisso com a verdade; contribuir para o desenvolvimento regional; colaborar para uma sociedade mais esclarecida e informada; elevar a participação cívica e melhorar o escrutínio dos poderes públicos: participar na afirmação da liberdade e na qualidade da democracia.
Ao longo deste percurso, O INTERIOR acompanhou a transformação do território, deu visibilidade a quem constrói o futuro da região e denunciou o que ameaça o seu desenvolvimento. Em cada edição, assumimos o mesmo desígnio cívico: ser uma ponte entre as comunidades e o país, entre a atualidade local e os grandes temas regionais. Este trabalho só é possível graças à confiança dos leitores e à dedicação de todos os que, dentro e fora da redação, acreditam no valor da informação livre. Chegados aqui, o jornal O INTERIOR é o mais relevante e maior jornal da região.
Hoje, o jornalismo enfrenta um dos maiores desafios da sua história: não há modelo de negócio. As plataformas digitais tornaram-se intermediárias dominantes na circulação de notícias, beneficiando do trabalho das redações sem garantir uma compensação justa. O modelo é profundamente desigual: enquanto os produtores de conteúdos suportam os custos da produção, são outros – distantes e impessoais – quem retira o maior proveito económico.
É urgente inverter esta lógica. A informação credível é um bem público, mas não pode ser tratada como um recurso gratuito. O jornalismo profissional exige investimento, tempo e responsabilidade — e esse valor deve ser reconhecido por quem utiliza e beneficia do trabalho das empresas de comunicação social.
Pior, os modelos de Inteligência Artificial são feitos recorrendo a milhões de textos jornalísticos para treinar sistemas e disponibilizar conteúdos que vão facilitar a vida de todos em todos os sectores, mas quem escreveu a base, milhões de palavras que os modelos de IA vão utilizar para servir toda a sociedade, foram jornalistas e autores, mas os jornalistas e os editores não recebem nada. Até a IA portuguesa, a “Amália”, em que o Estado vai pagar às universidades milhões para fazerem modelos com textos feitos nos jornais a quem ninguém irá pagar…
Reforçar a sustentabilidade dos meios de comunicação, especialmente da imprensa regional, não é apenas um objetivo empresarial: é um imperativo democrático. A proximidade ao território confere ao jornalismo regional um papel insubstituível na coesão territorial e social e na participação cívica. Onde há imprensa livre e ativa, há cidadãos mais informados e comunidades mais fortes.
A comemoração dos 26 anos de O INTERIOR é, por isso, uma celebração da resiliência e da responsabilidade. É também um apelo ao futuro: que o país reconheça a importância da informação produzida no interior e que as novas plataformas digitais passem a partilhar o valor que delas extraem todos os dias.
Enquanto isso, continuaremos a cumprir o nosso dever — informar com rigor, dar voz ao território e afirmar que o interior de Portugal merece ser ouvido. Porque, mais do que um nome, O INTERIOR é uma missão.



