Os portugueses que puderam ir às urnas no dia 8 de fevereiro decidiram. António José Seguro será, a partir de 9 de março, o Presidente da República.
Antes de falar sobre as eleições, uma palavra para todos os que foram afetados pelas tempestades que fustigaram Portugal. Alguns perderam tudo. Tiveram a sua vida, a sua liberdade e a sua propriedade em risco e o Estado ainda os obrigou a votar no meio da desgraça em que viveram. Uma palavra, pois, de pesar e de angústia por um Estado sem empatia, que tudo exige dos seus cidadãos e que pouco lhes retorna. Nós, os portugueses comuns, estamos solidários na tristeza e perda que os nossos compatriotas sofreram.
Voltemos às presidenciais.
António José Seguro venceu com mais de 66% dos votos expressos. Foi uma vitória onde os acomodados do sistema se reveem, já que foi por eles concedida.
Parabéns ao vencedor! Desejo-lhe um mandato em que nunca duvide que Portugal deverá estar sempre primeiro.
Quer isto dizer que André Ventura foi derrotado? Sim! E não!
André Ventura não ganhou as presidenciais. Ele que se apresenta a todas as eleições para vencer, não ficou em primeiro lugar, por isso, sim, André Ventura foi derrotado.
No entanto, teve uma votação em percentagem (e é a percentagem que conta, pois falamos de universos de votantes diferentes) superior à que a AD teve nas últimas eleições legislativas.
André Ventura, apoiado somente pelo partido Chega e, nesta segunda volta, por mais dois partidos residuais, obteve 33,3% dos votos, com mais de um milhão e setecentos portugueses a confiar em si para Presidente da República. Nunca o Partido Chega, ou André Ventura, tivera obtido tal resultado, quer em termos relativos, quer em termos absolutos. Assim, André Ventura e o Chega não saem derrotados destas eleições.
Num cenário fragmentado à direita, foi André Ventura quem foi escolhido pelos eleitores para defrontar a segunda volta contra o candidato que a esquerda e o sistema rapidamente ungiram como seu. Uma esquerda que incluiu os partidos ou, pelo menos, figuras de proa de partidos desde o CDS/PP até ao Bloco de Esquerda, passando pelos (chamados) liberais e sociais-democratas. Num cenário frentista à esquerda, foi André Ventura quem conseguiu agregar um terço dos votos expressos. André Ventura e o Chega têm agora uma base de apoio que os pode guindar à vitória numas próximas eleições legislativas.
Belém não foi o destino, será S. Bento o objetivo.
Desta forma, não tendo vencido, não foi derrotado!
E no distrito da Guarda?
No final da contagem, André Ventura obteve uma percentagem superior à média nacional (34,15%). Somente em quatro concelhos ficou abaixo dessa média (Gouveia, Guarda, Manteigas e Seia), tendo em Manteigas obtido uma percentagem abaixo de 30% (27%). Nos restantes concelhos a sua votação foi acima dos 33,3% nacionais e, em Figueira de Castelo Rodrigo, superou os 44%.
Também no distrito da Guarda, André Ventura foi muito além das votações anteriores, dele próprio ou do partido.
Há ainda um grande, enorme, caminho a percorrer. Há, sobretudo, muito trabalho para realizar, mas fica a vontade e a mensagem dos guardenses e dos portugueses:
Continuem! Portugal está alerta e, desde que merecedores, irão ter a confiança da maioria.
Da minha parte e da parte do partido que represento na Assembleia da República eleito por vós, só posso dizer:
Obrigado a todos os que acreditaram! Continuaremos a dar tudo o que sabemos e podemos por Portugal e pelos Portugueses!
Bem-haja!
* Deputado do Chega na Assembleia da República eleito pelo círculo da Guarda


