O ano 2025 revelou um desempenho económico nacional globalmente positivo, combinando crescimento acima da média europeia, com um saldo externo ainda positivo, apesar do comportamento assimétrico entre exportações e importações.
Este crescimento foi claramente impulsionado pela procura interna, em particular pelo consumo privado e pelo investimento. A economia portuguesa manteve um grau de abertura elevado e registou um reforço significativo do investimento directo, tanto de entrada como de saída, evidenciando a atractividade e a integração internacional do país. Portugal revelou ainda o maior crescimento do salário médio líquido da OCDE (8,2% num ano). E isto são factos! Não são percepções.
Apesar dos constrangimentos recentes pautados pela instabilidade geopolítica, os indicadores mostram uma economia resiliente, mas não deixam de evidenciar a necessidade de se reanimar uma dinâmica exportadora capaz de garantir um crescimento futuro mais equilibrado e sustentado.
Não obstante os dados supracitados, é indiscutível que o nosso país vive tempos difíceis, na sequência do “comboio de tempestades” que deixou, principalmente a região Centro e o distrito de Leiria, numa situação delicada diante do rasto de destruição causado.
São tempos que exigem responsabilidade, seriedade e solidariedade de todos. São tempos em que também factualmente podemos sublinhar:
• O empenho dos autarcas das zonas afectadas e a manifestação da solidariedade dos seus pares de outras regiões do país;
• As respostas imediatas, e em constante ajustamento, do Governo, com a preocupação de colmatar constrangimentos que se vão assomando;
• Uma situação sem precedente, que mereceu uma acção imediata e um apoio efectivo, também sem precedente, por parte de quem nos governa.
No entanto, o que é certo é que por todo o país foram sentidos efeitos negativos de dias sucessivos de chuva, vento e mau tempo, com eixos rodoviários e ferroviários afectados, que em muito afectaram, por exemplo, o distrito da Guarda. Acresce o emergir de uma situação que deixa muitos em sobressalto – o risco de não execução de projectos financiados pelo PRR e pelo PT2030.
É fundamental priorizar a acção do Governo, criar critérios de diferenciação que permitam agir com justiça, preparando o país para desafios futuros. Será esse o papel do PTRR (Portugal_Transformação, Recuperação e Resiliência), que se espera, entre muitas coisas, um mecanismo de garantia de coesão territorial.
O Governo de Portugal deve, por isso, prosseguir na construção de um caminho de reformas transformadoras, que conduzam a um país, no seu todo, para uma afirmação por via da sua resiliência e que ajudem o interior a enfrentar obstáculos, respondendo aos bloqueios estruturais que têm contribuído para as assimetrias que marcam a espuma dos nossos dias.
Como bem diz o lema do PTRR – “o futuro não se espera, constrói-se”, permito-me acrescentar que o interior não pode esperar mais, para ter futuro.
* Deputada do PSD na Assembleia da República eleita pelo círculo da Guarda e vice-presidente do grupo parlamentar do PSD
** A autora escreve ao abrigo do anterior AO



