No futuro próximo haverá cães que se desligam e outros que se soltam de noite com visões especiais. No futuro muito próximo haverá pessoas apaixonadas por máquinas que lhes gabam as virtudes. Nos dias que correm já perguntamos ao computador o que nunca ouvimos do professor. No telefone de agora falamos com a inteligência artificial que transporta conhecimentos arquivados sem capacidade crítica ainda. Na comida de amanhã teremos conteúdos saudáveis, alertas de desregulação, visores de comportamentos. Como os carros de agora, a cozinha manda que se tome café, que se pare, que se endireite.
As pessoas de hoje já possuem miragens do amanhã que moldará a vida. Carros que nos levam sem condutor, que nunca transgridem as regras. Roupas que nos protegem, nos diferenciam, nos verificam. A vida de outrora será uma miragem de que se riem os cidadãos. Amanhã será um mundo com câmaras por todo o lado, uma polícia que antecipa os crimes utilizando reguladores de perceção. Protestos serão como os que fazemos à Meta ou outras App – sem resposta e sem espessura. Nós nesse universo impudico somos menos, somos regulados, somos limitados, mas estamos mais seguros, menos atreitos a surpresas e de certeza que não veremos lutas tribais nem de clubes.


