É verdade que o interior está abandonado, envelhecido e sem esperança. É verdade também que quem vive por estas bandas luta contra a pobreza e a solidão. Estes fatores, todos juntos, podem até levar a problemas de saúde mental, mas esses nunca poderão ser justificados diretamente pela interioridade. Viver no interior é ter esperança num país que parece caminhar em marcha atrás. Viver no interior é respirar ar puro, plantar o que se come e cumprimentar o vizinho que vive na mesma rua. É desfrutar das coisas mais simples que já não encontramos nas grandes cidades – nomeadamente em Lisboa. É de muito mau gosto associar a vivência no interior a possíveis problemas de saúde mental – esses podem acontecer de norte a sul, da fronteira ao litoral, não são provocados pelos montes despovoados do interior do nosso Portugal.




