P – Ser campeão nacional de corta-mato em sub18 foi, de alguma forma, uma surpresa ou era mesmo um objetivo? Quais as sensações de subir ao lugar mais alto do pódio?
R – Ser campeão nacional nunca é uma tarefa fácil de se conseguir, mas acho que quando entrei para estes campeonatos estava em muito boa forma e muito motivado. Quanto ao lugar conseguido é tudo muito relativo, pois havia um lote de quatro ou cinco atletas que eram apontados como favoritos. À entrada para estes campeonatos o objetivo era o pódio e, ao cortar a meta na primeira posição, fiquei simplesmente orgulhoso de mim, do que tinha trabalhado, mas ao mesmo tempo, não fiquei muito surpreendido porque sabia que estava na minha melhor forma e vinha de duas vitórias consecutivas em provas com muita concorrência como o Cross de Torres Vedras e o Distrital de Aveiro.
P – Como tem sido a adaptação ao atletismo federado e que dificuldades enfrenta um jovem da Guarda na modalidade?
R – A adaptação ao desporto tem várias barreiras e entraves, por isso é importante estarmos cientes daquilo que somos e do que realmente queremos. O atletismo requer muito espírito de sacrifício e dedicação, se realmente queremos atingir patamares elevados a nível nacional e internacional. A cidade da Guarda dificulta ainda mais essa tarefa por causa dos climas rigorosos (muito quente no Verão e muito fria no Inverno), mas, apesar disso, tem que se treinar, sejam treinos de alta ou baixa intensidade. O aspeto psicológico de cada um tem um papel fundamental. No meu caso, agarro-me a todos os dias maus, a todos os treinos debaixo de chuva e vento, porque sei que são estes que me definem e que fazem toda a diferença. Tento aplicar todo o rigor em tudo o que faço, seja na escola ou no treino, e ver todos os esforços que faço serem recompensados é realmente gratificante. Acho ainda importante realçar, que, para termos e alcançarmos aquilo que os outros não alcançam, é preciso fazer o que os outros não fazem.
P – Ser filho de um atleta olímpico (Paulo Gomes) é naturalmente uma vantagem e uma referência para ultrapassar alguns obstáculos? É um sonho chegar às olimpíadas e fazer ainda melhor?
R – Sim, sem dúvida. Ter alguém que já passou pelo mesmo e nos ajuda a evitar erros é algo bastante importante. Porém, acho errado dizer que é meio caminho, uma vez que, mesmo tendo alguém especializado no assunto e que nos acompanha diariamente, é necessário muito esforço para mostrar realmente o nosso potencial e finalizar da melhor maneira semanas e semanas de treino. Quanto ao sonho de chegar ao Jogos Olímpicos, é o objetivo de carreira para qualquer atleta e, claro, que também é o meu, mas hoje em dia nada está fácil e muito menos os mínimos de qualificação. O melhor é deixar fluir naturalmente o trabalho. Quanto a poder fazer melhor do que o meu pai, não é isso que me preocupa e muito menos comparar-me a ele. O que realmente me interessa é mostrar a minha melhor versão, semana após semana, e continuar a evoluir.
P – Quais são os objetivos a curto e médio prazo?
R – Eles passam por integrar a seleção nacional, seja na pista, corta-mato, etc. Espero brevemente poder estar na discussão de mais títulos a nível nacional e melhorar todos os meus recordes pessoais.
P – Conciliar a competição e os treinos com os estudos nem sempre é fácil. Qual é a receita?
R – É uma tarefa algo trabalhosa, mas o segredo está em mostrar a nós próprios que tudo é possível, que temos tempo para tudo e acho que o rigor que aplico em mim, a todos os níveis, aplica-se nos resultados tanto a nível desportivo como académico. Mas, claro que tem que se fazer uma boa gestão do tempo e definir prioridades.
P – Como vê o atletismo no distrito da Guarda?
R – O atletismo apresenta níveis frágeis em termos competitivos. Por exemplo, temos uma pista no estádio municipal muito degradada e com cada vez menos utilização, comparativamente a outras cidades e distritos. Existe talento, mas tem de ser melhor aproveitado e apoiado.



