Se não temos nada podemos correr o risco, porque o regresso é o nada que já existia. Pior que nada não existe. Por esta razão há fluxos migratórios quase inimagináveis pelos europeus nas regiões asiáticas. Milhões de homens deslocam-se da Índia e Paquistão, da China, das Filipinas e do Nepal para países onde recebem salários muito baixos. Na América do Sul, deslocam-se em direção aos Estados Unidos. Correm riscos suficientes, porque no regresso encontram a família viva e sem fome. Vão para a Arábia Saudita, vão para Angola e para as grandes capitais da Ásia. Começaram a circundar a Europa, a chegar nos barcos pelo Mediterrâneo. Temos agora milhões de migrantes também na Europa. Percorrem os circuitos do dinheiro em busca de algum conforto, de alguma serenidade dentro da miséria. De facto, são milhões de pessoas e formam comunidades onde os espaços se tornam pequenas Bombaim, pequenas Xangai ou Manila. Criam-se negócios de supermercados, restaurantes, barbearias, alfaiatarias para manter as tradições possíveis das suas origens. As migrações desta dimensão deslocam massas humanas importantes, com consequências inevitáveis nos países recetores e nos dadores. Trazer dinheiro para casa, sobreviver ou sair da miséria são os grandes objetivos. Uma percentagem menor, mas também significativa, é a emigração de técnicos superiores dos mesmos países. São dimensões extravagantes para os europeus porque são deslocações de homens e só mais tarde das famílias. Algo muito maior do que a pequena dimensão de dois milhões de migrantes fugidos da Síria.



