A distribuição diária de jornais e revistas em oito distritos do país poderá estar em causa. A Guarda é um deles, tal como Beja, Bragança, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Viseu e Vila Real.
A VASP, que tem o monopólio da distribuição de jornais e revistas, anunciou na semana passada que, a partir de 2 de janeiro de 2026, deixará de garantir a distribuição diária de imprensa naqueles oito distritos. A empresa adianta, em comunicado, que em causa está uma «situação financeira particularmente exigente, resultante da continuada quebra das vendas de imprensa e do aumento significativo dos custos operacionais» na sua atividade. «Esta decisão terá como consequência a limitação do acesso regular à imprensa em parte do território nacional, afetando um direito consagrado na Constituição da República Portuguesa e um pilar essencial na democracia», lê-se ainda no comunicado divulgado pela VASP.
Além disso, a empresa recorda também que já foi «amplamente sinalizada a necessidade de uma decisão estrutural por parte dos decisores públicos quanto ao apoio à distribuição de imprensa», mas que essa decisão «continua por concretizar-se». O assunto esteve em debate no programa da Rádio Altitude, “Coisas da Vida”, onde Luís Baptista-Martins, diretor da emissora local mais antiga do país e também do jornal O INTERIOR, afirmou que este será, «quer queiramos quer não, mais um golpe no direito a ser informado para quem vive no interior e, mesmo quem não lê jornais e que pode achar que não é importante e que não lhe vão fazer falta, ter a possibilidade de comprar o seu jornal nas bancas por toda a vasta região do interior, de Trás-os-Montes, Beiras, Alentejo».
Para Luís Baptista-Martins, a possibilidade de vedar a distribuição de jornais a parte do país parece-lhe «inacreditável», pois não haverá casos idênticos na Europa. Por exemplo, no caso da Bélgica, um país com quase a mesma população que Portugal, o maior diário costuma a vender quase um milhão de jornais por dia. «Em Portugal, os diários mais vendidos, como o “Público”, vendem apenas 10 mil exemplares», constata Luís Baptista-Martins, que questiona «que país é este que deu um salto em frente em termos de qualificações (50 por cento dos jovens frequentam o ensino superior), mas não conseguimos deixar de ser um país de iliteracia».
Sofia Monteiro, professora e presidente da direção distrital da Guarda do Sindicato de Professores da Região Centro (SPRC) também comentou o assunto e exigiu «apoios da tutela central», uma vez que o Estado «tinha que ter um papel fundamental no apoio à distribuição, precisamente porque isto é um fator cultural e social muito importante». Perante a possibilidade apresentada pela VASP, Sofia Monteiro pede a «mobilização de todos – políticos, empresários, cidadãos do interior –, temos que reagir para impedir que isto aconteça. Não é um sinal claro de progresso, é o caminho inverso», considerou. Para a comentadora do “Coisas da Vida”, repete-se a velha ideia de que «no interior estamos sempre a perder. É como se não valesse a pena investir em nós enquanto população».
Distribuição de jornais poderá deixar de ser feita em quase metade do país
Empresa coloca em causa serviço a partir de janeiro em oito distritos



