A Câmara da Guarda suspendeu os prazos administrativos exigidos nalguns serviços municipais na sequência do ataque informático de que foi alvo, a 12 de fevereiro, e que continua a paralisar o funcionamento da autarquia.
A decisão resulta de um despacho do presidente da Câmara, Sérgio Costa, datado de 4 de março, que foi divulgado na reunião quinzenal do executivo municipal, realizada excecionalmente no passado dia 10. «Os prazos estão suspensos desde o dia do apagão informático. A contagem recomeça à medida que forem repostos os respetivos serviços», anunciou Sérgio Costa em declarações aos jornalistas, no final da reunião. Segundo o autarca, a medida foi tomada para «não prejudicar os munícipes que não puderam dar seguimento normal aos seus processos e dossiers desde 12 de fevereiro». Desde essa data que o acesso a algumas plataformas e serviços digitais da Câmara da Guarda está «preventivamente indisponível» na sequência do ciberataque que sofreu e levou ao encerramento de todas as comunicações com o exterior, justificou na altura a autarquia.
Recorde-se que ataque informático ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Judiciária estava a efetuar buscas nos Paços do Concelho e na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço para recolher elementos de provas, no âmbito de um inquérito instaurado por participação económica em negócio e prevaricação de titular de cargo político. Uma semana depois, na reunião do executivo, Sérgio Costa classificou o assunto de «incidente cibernético complexo, que condicionou, condiciona e vai continuar a condicionar o funcionamento dos nossos serviços». Na altura, o autarca eleito pelo Nós, Cidadãos! reconheceu também que a Câmara da Guarda enfrentava «um caso de força maior», pois «estamos absolutamente bloqueados em muitos serviços».
Quinze dias depois, os serviços «estão a ser repostos gradualmente», indicou Sérgio Costa na semana passada, exemplificando que os balcões de atendimento «já estão a funcionar normalmente». A oposição apoiou a suspensão dos prazos, mas voltou a criticar «a falta de informação regular aos cidadãos sobre a evolução da situação», disse Alexandra Isidro, vereadora da coligação PSD/CDS/IL. António Monteirinho, eleito do PS, foi mais longe e falou mesmo em «apagão de informação». Confrontado com estas posições, o presidente da Câmara da Guarda afirmou que, «mais uma vez, ficou demonstrado que [a oposição] só sabem criticar», tendo lembrado que «outros municípios no país já passaram pelo mesmo problema e a oposição ajudou na resolução. Na Guarda é só deitar a baixo».
Na semana passada, o autarca guardense revelou também aos jornalistas que a Comunidade Intermunicipal Região das Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE) tomou hoje a decisão de instar as entidades competentes sobre a reabertura integral da Linha da Beira Baixa. «Os autarcas não compreendem o prazo de meio ano anunciado pela IP [Infraestruturas de Portugal] dado que no problema da autoestrada A1 ficou resolvido em poucos dias», disse o edil. Sérgio Costa acrescentou que o Conselho Intermunicipal considera «muito extenso o prazo apontado para ultrapassar um problema numa linha que foi requalificada e reaberta há pouco tempo». Além disso, a CIMRBSE também lamenta «não haver transbordo rodoviário para os passageiros habituais» entre as principais cidades da Beira Interior, Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco. «Se fosse na Linha do Norte, o prazo era de certeza muito mais curto e resolução muito mais rápida», ironizou Sérgio Costa.
A Câmara da Covilhã já tinha aprovado, por unanimidade, no dia 6 de março, uma moção em que exige a reabertura «rápida e integral» da Linha da Beira Baixa. No documento apresentado pelo presidente da autarquia, Hélio Fazendeiro, o executivo exigiu ao Governo e à Infraestruturas de Portugal (IP) «medidas mitigadoras imediatas, enquanto persistir a interrupção da circulação, nomeadamente reforço de serviços ferroviários e soluções alternativas que garantam a mobilidade das populações». O constrangimento na linha «afeta diretamente milhares de cidadãos que dependem do transporte ferroviário para trabalhar, estudar ou aceder a serviços essenciais», explicou a Câmara.
Câmara da Guarda suspende prazos administrativos devido a ataque informático
Apagão informático ocorreu a 12 de fevereiro e continua a afetar o funcionamento dos serviços municipais da Guarda, cujo site permanece inativo



