Beatriz Realinho
Como parte da geração do ano 2000, a guardense Beatriz Realinho considera ter nascido numa «geração que viveu e cresceu entre várias crises, entre mudanças rápidas e também promessas».
A jovem antropóloga assume que «olhar para a Guarda é olhar para um território com grande potencial, mas também com desafios estruturais que precisam de ser pensados e ultrapassados». Apesar de considerar que «já existe trabalho feito», Beatriz Realinho fala na importância da «valorização do território e do património; do investimento na cultura; da dinamização do turismo». «Enquanto jovem de 26 anos, questiono muitas vezes “para quem é que a cidade é pensada?”», confessa Beatriz Realinho. Muitos jovens continuam a sair da cidade, numa fase inicial para estudar, mas depois não regressam porque não encontram empregos estáveis, recebem salários baixos ou pela dificuldade em ter casa própria. «Há a sensação de que, na Guarda, não conseguem construir um projeto de vida», lamenta.
E por tudo isto, para Beatriz Realinho, que se diz «inconformada», há prioridades claras: «Não basta atrair investimento, é preciso que seja, ao mesmo tempo, criado trabalho digno, com salário justos e estáveis. É preciso enfrentar os problemas de acesso a uma habitação, ou seja, não aceitar que haja tantas casas vazias e tantos jovens à procura de uma casa», defende. Por fim, a jovem guardense pede também «robustez nos serviços púbicos, nomeadamente, na saúde, educação e transportes».
Para a jovem nascida em 2000, a Guarda pode ser ‘uma ótima opção» para viver, no entanto, «viver não pode ser apenas uma ideia abstrata, ela tem que se traduzir em condições concretas. Não queremos apenas herdar uma cidade, queremos transformá-la e ser agentes ativos dessa transformação e isso exige compromisso», reitera Beatriz Realinho como que pedindo a união dos jovens pela causa.




